são paulo fashion week

Piaçava & Bombril

Apresento-lhe a piaçava, espécie de palmeira nativa do norte e nordeste brasileiro  que é usada, entre outras coisas, para fazer vassoura. E o Bombril que, ah, você já conhece. Dois elementos arraigados as mais simples –e nada glamourosas – tarefas cotidianas e que foram poetizadas nas mãos de mestres.

Os primeiros, os Irmãos Campana, designers brasileiros reconhecidos internacionalmente que foram incumbidos de decorar a Bienal nessa edição verão 2014 do São Paulo Fashion Week. Recorreram à brasilidade da piaçava – que, depois do evento, voltarão às fábricas a fim de serem transformadas em vassouras (com a marca SPFW por Irmãos Campana?). Brincadeiras (ou ideias) a parte, tiveram em mente nossas matérias-primas e a utilização sustentável.

 

Já o Bombril, nosso companheiro de pia, surgiu como acessório de cabelo no desfile do estilista Ronaldo Fraga. O tema da coleção, futebol e, como de esporte de elite nos idos anos 30 e 40, ele se popularizou e só assim, atenção, se transformou num esporte que é sinônimo de Brasil. Graças a ginga de muitos negros brasileiros que, até eu que nada entendo de futebol sei, batem um bolão.

Somos um país miscigenado. Minha filha branca como a neve tem o cabelo crespo, crespo. Eu acho lindo, ela, se acha….Meu filho moreno tem cabelo liso de índio. E assim somos nós, feitos de uma mistureba sem fim que faz de nós um povo lindo.

Acompanho a trajetória de Ronaldo Fraga desde o primeiro desfile. Poucos estilistas exaltam nossa cultura como ele. Racismo? Quando a gente enxerga todos iguais, independentemente da cor de pele, há espaço para uma brincadeira com licença poética de colocar modelos com cabelos de Bombril. E a nós, cabe valorizar nossa brasilidade feita sim de cabelos crespos e palmeiras piaçavas ou continuar lutando por uma moda com identidade nacional feita sob “inspiração” das passarelas europeias.

Identidade & Sustentabilidade

Identidade. “O conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se pode diferenciar uns dos outros” foi prá lá de discutido em relação a moda brasileira. Que, novata ante a tradicional moda do Velho Mundo, copiou, experimentou, copiou, experimenta  e caminha rumo a firmar sua identidade. Quem diria, munida na sustentabilidade.

“A Gente Transforma” é o tema da 33a. edição da São Paulo Fashion Week que se inicia hoje e busca firmar nossa identidade sobre a a sustentabilidade — não por acaso na semana que o olhar do mundo todo se volta para a nossa relação com o planeta no evento Rio +20.

A cenografia da Bienal, assinada por Marcelo Rosebaum, foi inspirada num trabalho desenvolvido por ele com artesãos de Várzea Queimada, no Piauí. Uma mesa redonda com o intuito de refletir sobre moda e sustentabilidade, com Paulo Borges, fundador da São Paulo Fashion Week,  e Oskar Metsavaht, criador da marca Osklen e do Instituto-E, entre outros, promete ser um dos pontos altos do evento (veja post anterior com informações sobre a mesa redonda). Ronaldo Fraga, estilista mineiro autoral e engajado, volta a mostrar suas criações nas passarelas da Bienal.

Se nossa identidade  de moda estiver focada na premissa sustentável certamente abrimos caminho para exportação — já que há demanda de mercado para moda/design de qualidade produzidos dentro de processos mais equilibrados. Várias de nossas marcas nascidas sob a ótica sustentável são pouco conhecidas no Brasil mas premiadas e ”economicamente viáveis” graças as exportações.

Encontrar  um caminho para desenvolver sua identidade de forma sustentável e, ao mesmo tempo, atender a um mercado emergente ávido por novidades está entre os maiores desafios da moda nacional. Quem sabe, após ser  prestigiada fora do país, nossa moda ganhe o mesmo status das peças logotipadas que em geral os brasileiros gostam tanto de comprar. Quem sabe…

Sobre moda, feijões e china

Mais uma edição do São Paulo Fashion Week. E, tal qual final de campeonato de futebol, para nós, profissionais da área, o encerramento do maior evento de moda da América Latina deixa esse gostinho de balanço final, no melhor estilo dessas mesas redondas esportivas, sabe? E me aventuro a compartilhar com vocês (despretensiosamente) minhas impressões e reflexões sobre o atual cenário da moda.

Ouvi muitas críticas sobre essa edição do evento. E, confesso, saí alguns dias da Bienal meio cabisbaixa, quase concordando com Ronaldo Fraga em sua polêmica afirmação que “a moda acabou”… Mas também vi coisa lindas, inspiradoras –  sem resquícios de “déjà vu” das passarelas internacionais; globalizadas mas com nosso DNA.

Hoje, lendo o jornal Folha de São Paulo, duas manchetes me chamaram a atenção. A primeira: “Brasileiros gastam US$ 21 BI no exterior”. Pula a página: “Importação de produtos típicos dispara: perda de competividade chega a produtores de coco e óleo de dendê; país comprou até feijão chinês em 2011″. UAU!

E, você pergunta, o que isso tem a ver com a moda? Tudo! Os brasileiros nunca viajaram tanto e, consequentemente, compraram tanto fora do país. Se não bastasse a concorrência interna, imensa, a carga tributária, imensa, os encargos trabalhistas, imensos, quem faz moda hoje no Brasil também tem que lidar com a concorrência externa — essa não só imensa mas também desleal. Porque não temos como competir com os preços praticados por tudo que é feito na China (não importa em que continente seja comprado!).

Já estamos, segundo a matéria publicada na Folha de São Paulo de 25/01/2012, importando até feijão e café — alimentos que produzimos e fazem parte da nossa cultura. Em contrapartida, estamos exportando outra riqueza: clientes! Somos, segundo pesquisas,  os estrangeiros que mais gastam atualmente em Nova York.

E não é só porque é mais barato não… Grifes têm o seu valor em qualquer lugar do mundo — somos nós que validamos o valor de uma peça de grife internacional (afinal, ela vem com o status embutido) e renegamos preciosos criadores que temos por aqui.

A moda brasileira hoje precisa de dois grandes incentivos. O primeiro, sem dúvida, do governo, minizando impostos e ajudando a nossa indústria a se tornar cada vez mais competitiva — interna e externamente. A segunda está em nossas mãos. Ou melhor, no nosso olhar: atentar para muitos trabalhos belíssimos, personalizados e cheios de estilo próprio que temos por aqui — e esses, meu caro, não tem como entrar na linha de produção chinesa…

Desvendando os segredos de estilo para o programa Mais Você

Confesso que senti um friozinho na barriga ao ser convidada pelo programa Mais Você, da Globo, para cobrir os bastidores da São Paulo Fashion Week e revelar os truques de estilo dos fashionistas – que capricham à beça para ir ao evento, mesmo que digam o contrário!

A Bienal de São Paulo, onde o evento é realizado e nessa 31a. edição apresenta as coleções primavera-verão 2012, se transforma numa passarela de ideias que a gente pode sim decodificar e adaptar para nosso dia a dia. E essa foi minha missão: encontrar fashionistas “estilosos” , o que não falta por lá, e dar dicas em cima dos looks.

E me diverti até! Entrevistei muita gente bacana, com looks que renderam  ótimas dicas. E, como você vai poder conferir no link do vídeo abaixo, finalizo com a principal: independentemente das tendências (que são múltiplas!), vista apenas aquilo que a valoriza; combina com sua personalidade e estilo de vida. Ana Maria Braga assinou embaixo!

http://glo.bo/lHC1nq

Edição de verão do São Paulo Fashion Week discute a moda do futuro

Relembro com certa nostalgia das semanas de moda que antecederam o São Paulo Fashion Week; o MorumbiFashion e o Phytoervas Fashion. Na época escrevíamos as matérias e entregávamos em disquetes — nem e-mail havia ainda!

Felizmente não só a tecnologia evoluiu, mas a moda brasileira também. Chegamos a 31a. Edição do São Paulo Fashion Week, que começa hoje na Bienal, com um país mais sólido e uma moda com identidade. Nos desvencilhamos (ufa!) das cópias dos desfiles internacionais, que antes facilmente identificávamos nas passarelas.

Vencemos a barreira do design, mas temos pela frente dois grandes desafios que serão discutidos também nessa edição do evento, que tem como tema “Futuros”: a questão dos impostos, que tornam a nossa moda menos acessível e competitiva, e da mão-de-obra qualificada de costureiros e modelistas. “De um lado todos querem ser estilistas e não há espaço para tanta gente. De outro, temos a péssima qualificação nas áreas de costura e modelagem”, afirmou o estilista Alexandre Herchcovitch, em entrevista à Folha de São Paulo.

A questão dos impostos é urgente e deve ser priorizada pelo governo em prol da indústria de moda nacional. Como já escrevi por aqui, somos hoje um dos maiores exportadores de clientes do mundo. Moda de qualidade no país é cara — e muito por conta da tributação excessiva da qual empresários e varejistas não dão conta. 

Nosso outro “gargalo” é a extinção de costureiras e modelistas,afinal, como disse Herchcovitch, todos querem ser estilistas. Mas uma peça é lapidada a várias mãos…Algumas universidades, como a Anhembi Morumbi, mantém projetos de capacitação de comunidades e esse é um caminho não só de inclusão como também de gerar parcerias para que o trabalho dos estilistas possa ser concretizado. A melhoria dos cursos técnicos, assim como a valorização dessas profissões, contribuirão para que possamos ter um “time” de moda realmente qualificado e forte.

Olhando pra trás chega a dar vertigem a velocidade que evoluímos nos últimos 15 anos. Resta-nos tentar desatar os nós que ainda nos seguram para poder voar mais alto. Bem-vindo, futuro!

P.S Deixo por aqui as fotos de um dos desfiles mais emocionantes que já conferi até hoje no SPFW: do visionário estilista Jum Nakao, que fez roupas maravilhosas em papel vegetal que, ao final, foram “picadas” pelas modelos. A metáfora calou fundo e ficou na história e na memória de quem estava lá…

 

À sua moda

Ontem, conversando com os alunos do curso que ministrei no Senac Moda, contei para eles que na década de 90, quando trabalhei na Editora Abril, em época de lançamento de coleções não tínhamos muito trabalho para editar as principais tendências. Listávamos cerca de oito ou dez temas — que, de um jeito ou outro, imperavam nas passarelas de maneira geral.

Hoje haja esforço para editá-las! Sabe porquê? A moda, felizmente, já não é mais a mesma! Todas as formas, cores e comprimentos convivem lado a lado. Querem ver? Uma espiada em algumas fotos do último São Paulo Fashion Week nos comprova essa realidade:

 E a lista seria interminável! A minha intenção com isso? Libertá-las de seguir as “o último grito da moda”; ajudá-las a perceber que há espaço para todos os estilos, gostos e biotipos nessa era em que vivemos, onde um visual personalizado tem muito mais valor do que qualquer look todo grifado (e que, de repente, não tem nada a ver com você!)

Como seres desejantes, claro, temos anseio pela novidade. Mas antes de se aventurar pelas coleções que em breve estarão nas vitrines faça uma análise do que realmente combina com sua personalidade e a valoriza. Você tem um “mundo” pela frente de possibilidades — resta escolher aquelas que tem a sua cara. 

A moda do futuro na São Paulo Fashion Week

Foi uma grande — e boa — surpresa observar manifestações sustentáveis por parte representativa de marcas e estilistas nacionais na principal semana de moda da América Latina. Quando vemos estilistas de vanguarda (e de peso) como Ronaldo Fraga e Alexandre Herchcovitch incluírem tecidos reciclados ou orgânicos em suas coleções e grandes marcas como Iódice se aliarem a programas socioambientais podemos ter a certeza de que o futuro da moda caminha para uma direção mais sustentável. Aliás, como a moda reflete o tempo em que ela está inserida, não poderia ser diferente… E, aos poucos, a moda ajudará a comunicar ao mundo que é possível aliar beleza ao ambientalmente correto e socialmente justo — com a força, a leveza e o poder que a moda reúne para passar mensagens e mudar valores.  

Abaixo impressões e expressões de sustentabilidade no São Paulo Fashion Week da parceira do MODA DO FUTURO,  Bag for Life (www.blogdabag.com.br). Texto de Nana Soma.Edição Danielle Ferraz.

 

Bons ventos apontam para uma moda mais sustentável no Brasil
 
Se a água e a madeira são temas das preocupações socioambietais atuais, elas não poderiam deixar de aparercer no cenário fashion. E assim foi: não faltaram referências à água e à madeira nas cores, coleções e também nas cenografias.

 A Osklen apresentou sua coleção “Oceans” , na qual diversos tons de azul, do mais claro – quase branco – ao marinho, formaram a paleta de cores que foram tingidas no algodão orgânico. O processo de tingimento natural feita em parceria com Eber Lopes Ferreira, uma das maiores autoridades no assunto, foi a novidade desta apresentação.

 Osklen

A paleta azul da Osklen

Outro estilista que trouxe para a sua passarela (masculina) material ecológico foi o Alexandre Herchcovitch. O EcoSimple é um tecido feito 100% com matéria-prima reciclada e resultado de um complexo processo de produção: resíduos da indústria têxtil são separados por cores por comunidades de baixa renda; depois seguem para a fábrica e passam por um processo chamado desfibragem (que consiste no “rasgamento” dos tecidos e não usa nenhum produto químico). Em forma de fibras, esses materiais são fiados e tecidos com “15% de fibras de PET reciclado”, segundo Paulo Roberto Sensi Filho (sócio da EcoSimple). A.Herchcovitch - calça e paletó com manga curta _ ag Fotosite

Calça e paletó com manga curta feito com o tecido EcoSimple do estilista Alexandre Herchcovitch

 A marca Maria Bonita também fez um lindo trabalho com lâminas de madeira de reflorestamento,  articuladas em forma de mosaico sobre tecidos de diversos tamanhos e que apareceram tanto em roupas quanto acessórios. Peças de crochê de palha também se destacaram na coleção.  

 Maria Bonita - mosaicos de madeira _ ag Fotosite

Blusa feita com mosaico de madeira da Maria Bonita…

Maria Bonita _ croche 
.. e o belíssimo crochê de palha na blusa e no chapéu 
 
A estilista Simone Nunes, que na última edição da São Pualo Fashion Week já havia apresentado uma coleção engajada com a questão ambiental, trouxe uma cenografia feita com madeira de demolição, reforçando a importância da reutilização.
 
Simone Nunes - passarela upcycled
A passarela upcycled de Simone Nunes 
 
As marcas Iódice e Movimento, assim como o estilista Ronaldo Fraga, buscaram agregar elementos ambientalmente corretos e com trabalhos feitos por comunidades em suas coleções. A Iódice usou pele de pescada em bolsas; tucumã em forma de canutilho bordado em várias peças e cortiça em cintos e sapatos. Também fez um  tingimento do couro  com base vegetal. A adoção de uma unidade de conservação no Amazonas, que receberá um real de doação por cada peça da marca vendida, é um o ponto alto das iniciativas socioambientais da marca.

 iodice-detalhe-tucuma

Vestido com detalhe de tucumã na Iódice…

iodice-cortica
… e a cortiça no cinto e detalhe da bolsa  

A marca de beachwear Movimento fez um trabalho social e ecológico com uma comunidade localizada à beira-mar em Recife. Essas mulheres de pescadores passaram por seis meses de treinamento com Tininha da Fonte, estilista da marca e escolhida para encabeçar o projeto Pernambuco com Design. O resultado são peças feitas a partir do reaproveitamento de pele de peixe cujo efeito remete a lascas de madeira. 

Movimento
Lasca de madeira? Não. É o maiô da Movimento feito de pele de peixe reaproveitada. 
 
O estilista-poeta Ronaldo Fraga, também presente no projeto Pernambuco com Design, não apenas trabalhou com as artesãs do estado, mas também com as mulheres da Paraíba e de Minas Gerais para fazer delicadas rendas renascença e bordar vestidos, saias e tops. Para finalizar esta maestria de design artesanal e sustentabilidade, o estilista mineiro utilizou algodão orgânico cru em parte da coleção.
Ronaldo Fraga - rendas _ ag Fotosite
A renda no vestido de Ronaldo Fraga… 
Ronaldo Fraga - algodao org. bordado _ ag Fotosite
… e o vestido de algodão orgânico com bordados 

“Lampejos” de sustentabilidade na SPFW

Com o tema “Anima“, o SPFW começou na quarta-feira em clima de novos ventos soprando e anunciando o próximo verão brasileiro. Em um breve giro pelo prédio da Bienal, percebe-se propostas relacionadas à sustentabilidade.

 O nosso tour se inicia com Espaço Oi Moda em que objetos cotidianos e comuns à construção civil são reutilizados ao ser retirados de suas funções básicas.  A proposta de reconstrução destes produtos lembra o brinquedo Lego onde a transformação é uma constante.

 

Oi lounge
Plástico que lembra uma sacola gigante se torna uma chaise-longue

 Como moda é movimento e se integra às outras áreas, como a arte, o estilista Jum Nakao apresenta a performance “Vestígios Vestíveis” que é um ambiente cenográfico correspondente a um boteco típico de qualquer esquina Brasil afora. Este cenário será transformado objeto por objeto ao longo dos seis dias do evento.

 

Jum Nakao instalação
O bar se transformará em um espaço totalmente revestido de branco

 

Para finalizar, o lounge da Melissa vem em clima amazônico onde o espaço se transforma numa floresta estilizada geométrica. Entre as peças da nova coleção Melissa Amazonista, a criação do designer italiano Gaetano Pesce é a mais cool! A sandália pode ser customizada de uma ankle-boot a uma rasteirinha. Pegue uma tesoura e a transforme em um objeto único de desejo. Não sabe  o que fazer com os glóbulos recortados? Uma dica é pensar no reuso que você pode criar a partir do recorte que você dar. Pensem em pulseiras, acessórios para cabelo, pingentes, colares… a imaginação flui solta!

 

Melissa lançamento
De ankle-boot ao que a sua mente criar!

 Quer dar um respiro da Bienal? Vá até a Galeria Melissa localizada na Rua Oscar Freire e respire o ar puro das plantas expostas verticalmente na parede também estilizada desta recriação amazônica.

 

Melissa loja OF
As samambaias na Galeria Melissa

 Fonte: www.blogdabag.com.br

 

 

 

 

 

 

Sobre “A Onda” e modelos magérrimas

 Há pouco assisti ao filme “A Onda”, adaptação do ensaio “The Third Wave” (A Terceira Onda), no qual o professor americano Ron Jones relata a história real da experiência que fez em sala de aula, em 1967, para provar aos alunos, resolutos de que seria impossível o nazismo se repetir, que é mais fácil do que se pensa se deixar levar e entrar numa “onda”.

Em meio as notícias do São Paulo Fashion Week, nas quais a magreza das modelos geraram mais discussões na mídia do que as criações da passarela, não pude deixar de lembrar do filme. Desde os anos 90, quando as modelos foram alçadas à categoria de “stars”, nove entre dez adolescentes querem ser modelo. Não só se inspiram nos cortes de cabelo e looks que elas vestem, mas fazem loucuras para ter o corpo esguio (alguns esquálidos) de top models – o que para a maioria será de fato impossível.

Longe de mim fazer apologia à gordura, pelo contrário, creio que temos obrigação de empenhar esforços em busca de um corpo saudável. Mas não é esta a mensagem que a moda comunica para uma geração de meninas desejosas de maior autoestima e de se sentirem parte do grupo. “ A ONDA” é ser magérrima, não importa o que isso vai custar: saúde de menos; distúrbios alimentares e psicológicos; sofrimento – estendido a familiares e amigos.

Como diz a música de Caetano Veloso, “alguma coisa está fora da ordem”. Quando no dia de hoje, no Haiti, mães farão bolachas de barro para aplacar a fome dos filhos e aqui mesmo do nosso lado tem gente que vai ficar sem refeição alguma – não para estar entre parâmetros das passarelas, mas simplesmente porque não tem absolutamente nada para comer – não seria a hora da moda realmente usar seu poder de comunicação para difundir o que é realmente belo? A beleza de se ter saúde e não de passar fome, para quem sabe, aliviar o sofrimento daqueles que passam fome não por opção. Isso sim seria uma “ONDA” daquelas!

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