Elegância em peso
A capa da Elle francesa de fevereiro com a modelo Tara Lynn, acompanhada do subtítulo “The Body” (O Corpo), levou muitas pessoas a me questionarem se a “ditadura da magreza” na moda estaria, enfim, dando os seus últimos suspiros. Creio que essa foto nos traz alguma luz sobre o assunto.
Observe Tara Lynn. Uma mulher linda, mas como uma beleza mais “comum”, mais próxima da realidade. Há identificação na imagem, afinal, quantas mulheres se encaixam no padrão 1,80m de altura e 50 kg?
Nessa era tão democrática na qual vivemos, em que pessoas comuns são alçadas à categoria de celebridades pela internet, nada mais natural que caminhemos para ”desencaixotar” os padrões. Que enxerguemos, enfim, que a beleza não tem apenas um peso — mas vários. E todo mundo se sinta bem em sua própria pele.
Não creio que teremos uma mudança de padrão às avessas, ou seja, que daqui para frente ”o corpo” será mais cheinho. Creio na valorização da beleza dentro do biótipo de cada um. Verdade seja dita: tem gente que, por mais que se esforce, nunca vai ser magra. Não faz parte de sua natureza. Assim como tem pessoas com 1,80m e 50 kg que são supersaudáves, pois esse é o seu biótipo.
E a valorização do nosso biotipo — seja ele qual for — com as peças certas é o caminho da elegância. A atriz Octavia Spencer provou na festa do Oscar isso que estamos conversando. Gordinha, escolheu um vestido que delineou sua silhueta sem, no entanto, marcá-la. Deixou um “respiro” próximo ao pescoço para alongá-lo e usou de bordados diagonais para dar a sensação de “afinar a silhueta”, principalmente na região da cintura. E, pasmem, está de vestido claro! Como sempre digo, cores não têm poder de engordar, mas sim modelagens!
Está na moda respeitar a natureza, não? Que tal, então, começarmos pelo respeito a NOSSA natureza?

