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Sobre “A Onda” e modelos magérrimas

 Há pouco assisti ao filme “A Onda”, adaptação do ensaio “The Third Wave” (A Terceira Onda), no qual o professor americano Ron Jones relata a história real da experiência que fez em sala de aula, em 1967, para provar aos alunos, resolutos de que seria impossível o nazismo se repetir, que é mais fácil do que se pensa se deixar levar e entrar numa “onda”.

Em meio as notícias do São Paulo Fashion Week, nas quais a magreza das modelos geraram mais discussões na mídia do que as criações da passarela, não pude deixar de lembrar do filme. Desde os anos 90, quando as modelos foram alçadas à categoria de “stars”, nove entre dez adolescentes querem ser modelo. Não só se inspiram nos cortes de cabelo e looks que elas vestem, mas fazem loucuras para ter o corpo esguio (alguns esquálidos) de top models – o que para a maioria será de fato impossível.

Longe de mim fazer apologia à gordura, pelo contrário, creio que temos obrigação de empenhar esforços em busca de um corpo saudável. Mas não é esta a mensagem que a moda comunica para uma geração de meninas desejosas de maior autoestima e de se sentirem parte do grupo. “ A ONDA” é ser magérrima, não importa o que isso vai custar: saúde de menos; distúrbios alimentares e psicológicos; sofrimento – estendido a familiares e amigos.

Como diz a música de Caetano Veloso, “alguma coisa está fora da ordem”. Quando no dia de hoje, no Haiti, mães farão bolachas de barro para aplacar a fome dos filhos e aqui mesmo do nosso lado tem gente que vai ficar sem refeição alguma – não para estar entre parâmetros das passarelas, mas simplesmente porque não tem absolutamente nada para comer – não seria a hora da moda realmente usar seu poder de comunicação para difundir o que é realmente belo? A beleza de se ter saúde e não de passar fome, para quem sabe, aliviar o sofrimento daqueles que passam fome não por opção. Isso sim seria uma “ONDA” daquelas!

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