moda e sustentabilidade

O poder transformador do design

Conheci Juliana Foz numa banca de formandos do Senac. Com suas criações que aliavam moda e sustentabilidade com beleza e poesia encantou, não só a mim, mas a todos os presentes: foi a única estudante, na data, a receber 10 com louvor. Estreitamos laços. Desde então acompanho o trabalho da estilista  que deseja ir além da criação propriamente dita: ela deseja usar a produção como ferramenta para um mundo melhor.  Aqui ela conta para a gente como está fazendo a diferença num dos maiores assentamentos do país.

Por Juliana Foz*

A aproximação entre designers e artesãos é um fenômeno de extrema importância pelo impacto social e econômico que gera e por seu significado cultural. Trabalhar com a identidade local e com o cotidiano faz com que os artesãos tenham mais orgulho das suas origens. Os produtos feitos a mão tem alma, transferem algo que vem de nós mesmos, em vez da uniformidade e da padronização dos objetos industriais. São únicos, têm a beleza da imperfeição. Eles nos contam de um lugar preciso, onde foram feitos por pessoas concretas, trazem um sentido de pertencimento. Neste contexto, o papel do designer, do profissional que pensa criativamente o futuro, é ser uma ferramenta que resolva problemas e necessidades humanas, pensando  de maneira inclusiva e inovadora.

Em sua parceria com o artesão o designer deve pensar em como propiciar à sociedade a ao entorno novos valores; pensar também como criar uma sociedade melhor e, a partir daí, no que podemos produzir para que essa sociedade seja diferente. Os objetos produzidos serão simplesmente o meio, a forma que vai conduzir à compreensão de uma mudança. Acreditando neste poder transformador do design, o objetivo principal do “Projeto Mãos que Tecem Histórias” é oportunizar novas perspectivas de vida às mulheres, para que elas mesmas teçam novos rumos para o futuro: trabalhando, aprendendo e sendo detentoras de seu próprio ganho.

O “Projeto Mãos que Tecem Histórias” foi iniciado com o Grupo de Mulheres “Flores do Campo”, dentro da Agrovila Campinas/ Assentamento Reunidas, maior assentamento de terras do Estado, localizado na cidade de Promissão/SP. O nome do projeto propõe a conexão e ressignificação de diversas histórias e origens de diversas partes do Brasil, e que se uniram em uma mesma terra, também criando costumes e identidade neste lugar. O projeto objetiva mapear as potencialidades da região quanto à técnicas de artesanato, matérias-primas e talentos criativos para então desenvolver produtos com a identidade local, gerando impacto social: aumento de renda e ganho de autoestima dos artesãos envolvidos.

Não esperar pelo ideal, trabalhando com o que esta à disposição — retalhos de tecido e técnicas manuais – torna-se um desafio. Sabendo que o lixo é o único recurso em crescimento hoje no planeta, e que sua utilização necessita de tempo e atenção para utilizar o resíduo de forma que a peça que tenha um valor estético e comercial, inverte-se a lógica da produção, buscando antes o refugo, escolhendo o material de acordo com suas cores, texturas e peso. Essas características do material acabam por sugerir o produto: escolhemos o que será produzido a partir dos materiais que recebemos. Nas experimentações também se percebe grande variação no trabalho realizado pelas artesãs, de acordo com a personalidade de cada uma. Todas as intervenções realizadas trazem novas possibilidades dentro dos fazeres manuais tradicionais (bordado, crochet, costura), e, buscando novas soluções desafiamos a lógica da produção para então criar produtos mais originais, pois sabemos que esta é a missão do designer: para modificar os atuais modelos de desenvolvimento econômico, deve atuar propondo mudanças e intervenções tanto no consumo quanto na produção.

Juliana Foz é designer, Bacharel em Design de Moda pelo SENAC – São Paulo/SP. Pós-Graduanda em Direção de Criação para Design e Moda pelo ORBITATO – Instituto de Estudos em Arquitetura, Moda e Design – Pomerode/SC. Contato: juliana_foz@yahoo.com.br / (11) 98778 0101

5 boas razões para você usar pele falsa

(E não é porque você vive no Brasil)

Sim, as peles verdadeiras voltaram numa unanimidade que, confesso, não imaginei ver novamente. Desde que a sustentabilidade tornou-se pauta e o respeito  pelo meio ambiente ganhou adesão, quem usava  pele verdadeira recebia olhares tortos – quando não balde de tinta dos ativistas.

Os negócios falaram mais alto do que os princípios? Parece que sim. De olho nos emergentes endinheirados, desejosos de denotar status, as marcas ressuscitaram o símbolo máximo da opulência: a pele verdadeira – onipresente nas semanas de moda internacionais.

Aqui, 5 boas razões para optar pela pele falsa – muito mais moderna, chic  e sintonizada com o nosso tempo (puxa já dei 3!)

1.Peles falsas são mais divertidas.

Em vez de transmitir a mensagem de status e opulência, a pele falsa passa a ideia de despojamento e modernidade. Colorida, confere ao look um ar bem divertido.

2. Pele falsas são mais fáceis de cuidar.

A pele verdadeira exige manutenção. Precisa arejar, refrigerar, pode dar bicho (sim, é pelo animal). A pele falsa pode ser lavada até em casa, a mão.

3. Pele falsas são mais baratas.

Óbvio. Mas vale lembrar que também podem durar uma vida. Herdei um que minha mãe comprou aos 16 anos (ela tem 63!) e uso até hoje. Coroa, inteirão…

 

4. Peles falsas são similares no efeito. A evolução da indústria têxtil permitiu a produção de peças de pele sintética bem similares a verdadeira. Como diferenciá-las: a textura do pelo animal é mais macio (lembra o pelo de um bichinho)  e o brilho é maior. Mas sem tocar até especialistas em moda às vezes se confundem.

5.Peles falsas poupam a morte cruel – e desnecessária – de milhares de animais.

A maioria dos animais cujas peles são retiradas pela indústria da moda não tem sua carne consumida. Ou seja, não há um aproveitamento sustentável como, por exemplo, acontece com o boi. Para fazer um casaco de comprimento médio são necessários cerca de 100 chinchilas; 70 martas-zibelinas; 27 guaxinins ou 11 raposas douradas. Sem contar o  comércio de pele clandestino e a forma como esses animais são caçados e mortos. Tristeza sem fim que bastaria para acabar com qualquer glamour, não?

 Fotos: Reprodução

Sustentabilidade é pop!

Nem passarela, nem blogueiras: aqui no Brasil nada é mais poderoso para popularizar um modismo do que uma novela. De inspirações orientais a suburbanas,  alguns figurinos de novela alcançam repercussão tamanha que a moda  passa a ser identificada pelo nome da personagem. Que o diga Jade, personagem de Giovanna Antonelli em “O Clone”,  e até mesmo a icônica viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte em “Roque Santeiro” e símbolo das extravagâncias  que reinaram nos anos 80 (quem escapou dos laçarotes de tule na cabeça à la Porcina nessa época? Eu não! Tenho várias  fotos de criança assim!)
A próxima novela das seis da Rede Globo, “Flor do Caribe”, promete colocar em cena algo que nos é muito familiar e até então pouco valorizado: as peças artesanais, típicas do Norte e Nordeste, e as biojoias — acessórios feitos com matérias-primas naturais como sementes, palhas, coco etc.
Muito além das peças  vendidas em feirinhas hippies, o Brasil é um celeiro de criações artesanais com apelo ecológico produzidas com  qualidade e sofisticação.  Entusiasta da moda feita sob esse viés tive o prazer de conhecer inúmeras marcas que não só passaram a fazer parte do meu guarda-roupa como ganharam um espaço aqui em São Paulo, o Espaço Moda do Futuro, para compartilhar as minhas descobertas com quem ama esse tipo de trabalho como eu e que, normalmente, fica espalhado e escondido pelos quatro cantos do país.
Desejo que a novela venha despertar a curiosidade por roupas e acessórios que têm no seu DNA a cara do nosso país e, hoje, são mais valorizados por estrangeiros do que por nós, brasileiros. E que a partir da personagem de Grazi Massafera, Ester, vejamos o quão linda e sofisticada é essa tal de moda sustentável que, felizmente, está deixando de ser nicho para se tornar pop.

PS. Aqui no blog há vários posts sobre marcas que trabalham o artesanal com sofisticação tanto em roupas como na criação de incríveis biojoias. Navegue e conheça alguns dos tesouros que temos pelo Brasil.

Por uma moda mais saudável

“Olá Danielle,

Graças à pressão pública que vocês fizeram, a Zara aceitou lavar sua roupa suja. Após oito dias da campanha Detox ter começado, a maior varejista de moda do mundo assumiu o compromisso de eliminar todas as substâncias químicas perigosas de sua cadeia de fornecedores e de produtos até 2020.

Mais de 300 mil pessoas em todo o mundo apoiaram a idéia de que é possível fazer moda sem poluir e pediram que a Zara limpasse sua cadeia de produção. Além disso, seus fornecedores serão mais transparentes, divulgando as informações sobre quais poluentes estão descartando no ambiente.

Essa conquista só foi possível porque pessoas como você acreditaram na campanha, se envolveram com uma questão importante e decidiram agir, pressionando a Zara. Nós agradecemos por sua ajuda, ela foi fundamental para que um passo importante fosse dado em direção a um meio ambiente sem poluição.”

Como todos que se engajaram na petição promovida pelo Greenpeace para que a Zara produzisse sem poluir, recebi hoje pela manhã essa “cartinha” da ONG com os resultados da campanha. Trezentas mil assinaturas e oito dias depois da mobilização pelas redes sociais, a Zara, atualmente a maior rede varejista de vestuário do mundo, se comprometeu a eliminar todas as substâncias tóxicas de sua cadeia de produção. Tarefa nada fácil já que a Zara possui cerca de 1540 lojas em 78 países e, para abastecer tudo isso, terceiriza grande parte da produção para oficinas mundo afora.

A ação do Greenpeace repercutirá além: fará com que a marca, que já foi autuada por trabalho escravo no Brasil, tenha que acompanhar  mais atentamente as terceirizações, ou seja, exigir de seus subcontratados uma conduta mais sustentável em todos os sentidos. E mais: a exemplo da Zara e por pressão do mercado (nossa!),  outras marcas darão início a um processo de mudança no seu ciclo produtivo, investindo em tecnologia para proteger o meio ambiente e respeitando os direitos dos trabalhadores.

Tudo que a gente ama a gente deseja que seja saudável.  A moda, por exemplo… E uma moda saudável é uma moda mais sustentável — que, como pudemos ver, está em nossas mãos!

“Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária”

“Como podemos ter atitudes mais sustentáveis ao nos vestir?, me perguntaram hoje em uma entrevista.

As dúvidas são muitas e poucos os lugares onde procurar respostas. Por isso é mais que bem-vindo o novo livro “Moda e sustentabilidade – Uma reflexão necessária”, de Lylian Berlim — doutoranda em ciências sociais, mestre em ciências ambientais e designer têxtil –, recém- lançado pela  Estação das Letras e Cores.

O livro traz luz à reflexão que, como já diz o título, é mais do que necessária. Afinal a moda reflete o seu tempo, e novos tempos pedem uma  nova maneira de se fazer e de se consumir moda.

“Moda e sustentabilidade –Uma reflexão necessária” está disponível nas principais livrarias.

P.S. Minha resposta à jornalista: comprar com consciência, otimizar o uso das roupas e cuidar bem de cada peça para prolongar sua durabilidade  são os primeiros passos para um guarda-roupa mais sustentável. Dicas acessíveis que todos nós podemos colocar em prática!

Inovação e (é) transformação

Delicados pássaros de papel pendurados na entrada. Mesas feitas com base de pneus velhos ou reutilizando caixas de feira. Pufes de jornal. Sofás com rolos de papelão.

O centro de convenções de Vitória ganhou decoração sustentável e elegante para receber o Vitória Moda Show, evento de moda capixaba que alia moda e sustentabilidade. Fui como palestrante e fiquei encantada em constatar que esta aliança foi muito além do discurso e da bela decoração.

 

 

Estudantes, confeccionistas e simpatizantes lotaram os três dias de palestra: o estilista da marca Neon, Dudu Bertholini, e a gerente de negócios da WSGN, Clarissa Araújo, também estiverem entre os palestrantes do evento, que se propôs a trazer informação, conscientização e reflexão para o público. E mais que isso: as marcas que desejavam se tornar mais sustentáveis recebiam consultoria para colocar ideias em prática (iniciativa que adorei, já que todo mundo tem boa vontade mas nem sempre sabe como concretizar as ideias…)

Falei sobre inovação. “Criando luxo do lixo” é uma palestra que traz reflexão sobre o processo produtivo e inspira com vários cases de designers; estilistas e marcas que estão na vanguarda da criação sustentável. E que transformaram em beleza o que, para a maioria nós, não passa de lixo — tal qual Vik Muniz com suas obras de arte feitas com sucata que ganharam o mundo.

Fui levar uma dose de inspiração — e no final, recebi em dobro! Conheci trabalhos interessantíssimos como de Micca Wentz e Jaqueline Chiabay, ambas artistas plásticas capixabas. Micca conduz um projeto chamado “Equilibrium”, no qual  faz bolsas e acessórios usando lona descartada de eventos e publicidade. Jacqueline Chiabay reutiliza retalhos de couro em tramas de tricô, crochê e macramê que compõem peças modernas e sofisticadas. “A reciclagem é um meio para reciclar gente”, me disse Micca, que trabalha com capacitação de detentos de segurança máxima do estado. Jacqueline trabalha com mulheres. Enquanto produzem suas peças, que dão nova vida ao que seria descartado, elas dão um novo sentido àqueles que também precisam ser transformados.

 

 

O que é, para você, a moda do futuro?

Compartilho o que respondi numa entrevista sobre moda e sustentabilidade  à revista Hype . E te pergunto: para você, o que é a moda do futuro?

“A moda do futuro privilegia o indivíduo em vez da massificação. Vivemos numa era extremamente democrática e a moda é um recurso para expressão pessoal. É muito importante que as pessoas tenham isso em mente ao fazer suas escolhas.

A moda do futuro não visa a produção em massa as custas da destruição – do meio ambiente e do outro. Pelo contrário, procura minimizar impactos ambientais, seja através da tecnologia; do reuso; de evitar o desperdício; da substituição de matérias-primas e também evitando o lucro a custas de mão-de-obra tratada de maneira indigna. Repetir o tratamento dado ao trabalhador chinês, por exemplo, para reduzir custos é a antítese do sustentável.

A moda do futuro também diz respeito a consumidora de moda. Ela não é “fashion victim”, pelo contrário, sabe o que a valoriza e aproveitar bem seu guarda-roupa. Não “enfrenta” dores da alma com compras. É uma consumidora mais consciente. Privilegia a qualidade à quantidade; o personalizado feito de forma ambientalmente equilibrada ao massificado chinês”.

 

Moda do Futuro participa com palestra da próxima edição do Vitória Moda Show

De 25 a 27 de julho o estado do Espírito Santo vai estar de olho na moda — e na sustentabilidade. A próxima edição do Vitória Moda Show pretende chamar a atenção das empresas do setor para práticas produtivas baseadas na sustentabilidade, além de ajudar as empresas capixabas a se tornarem mais “verdes”.

O evento contará com várias palestras a fim de mostrar à sociedade que é possível conciliar moda e desenvolvimento sustentável. E é com muito prazer que ministrarei uma delas.”Criando luxo do lixo” mostra como alguns designers e estilistas nacionais têm usado a criatividade para transformar resíduos descartados em peças que são  objetos de desejo. Os  acessórios superestilosos de PET da pernambucana Tiana Santos; as biojoias com residuos de madeira de Patrícia Moura e os luxuosos sapatos e carteiras de couro de tilápia da marca Heliconia são bons exemplos — para dar uma “palhinha”! 

 

A palestra visa inspirar, sobretudo, a inovação e mostrar que o Brasil tem potencial para se destacar no cenário  internacional como polo de moda sustentável.

As palestras, que contarão com outros renomados profissionais de moda, como o estilista Dudu Bertholini, serão abertas para o público mediante inscrição (para ver a programação completa e se inscrever, clique aqui http://bit.ly/MUUpCT 

Asessoria para deixar as empresas mais verdes

O principal evento de moda do Espírito Santo vai ressaltar, tanto entre patrocinadores e expositores, quanto nas passarelas, a importância de iniciativas sustentáveis na indústria do vestuário, apresentando a indústria capixaba do vestuário como socialmente transformadora.

Para que esta transformação da indústria do vestuário do Espírito Santo se concretize, o Sistema Findes está  oferecendo às indústrias capixabas serviços técnicos e tecnológicos com  o objetivo de minimizar os impactos ambientais decorrentes do processo produtivo.

Esses serviços compreendem orientação às empresas no requerimento/renovação de licença ambiental, na elaboração de Planos de Controle Ambiental, de Gerenciamento de Resíduos, de Gerenciamento dos Efluentes Líquidos, de Gerenciamento das Emissões Atmosféricas e na elaboração e implantação de projetos de educação ambiental. 

Ciente de que os recursos naturais, apesar de todas as ações educativas e preventivas, são escassos e finitos, há algum tempo o Sistema Findes  defende como estratégia número um, para incrementar a competitividade do setor, a economia criativa, cujos recursos – cultura, conhecimento e criatividade – não se esgotam, mas se renovam e se multiplicam. Afinal,  ninguém duvida de que a moda é um processo natural de economia criativa.

O Vitória Moda Show 2012 vai ressaltar não apenas a importância da moda e da criação para fortalecer o setor, mas irá mostrar, também,  que, por meio da economia criativa, o setor do vestuário precisa incorporar valores como marca,  tecnologia e design para sobreviver e competir.

Moda do futuro na Revista da TAM

A Rio+20, conferência mundial que discute desenvolvimento sustentável, já deixou um legado — independentemente dos tratados firmados entre países e governantes. O assunto se transformou na “pauta da vez”, dando espaço para que designers e estilistas que há anos incorporaram os preceitos sustentáveis em sua produção ganhassem visibilidade. E pessoas ao redor  do globo ganharam a oportunidade de ver a aplicação concreta da tão falada “sustentabilidade” — nas mais diversas áreas. De palavra a verbo; do conceito à ação.

A revista da TAM publicou, na edição deste mês, uma seleção de acessórios “ecofashion”: as biojoias de Patrícia Moura; os sapatos de Tilápia da Heliconia e as bijoux feitas com reutilização de papel da JS Sustentável, marcas que compõem o Coletivo Brasil e estão sendo comercializadas no Espaço Moda do Futuro, estiveram entre os destaques.

Ter uma peça linda e moderna, personalizada, e que ainda carrega em si a mensagem de cuidar do outro e do planeta é tendência.

Que, felizmente, veio para ficar!

 

Identidade & Sustentabilidade

Identidade. “O conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se pode diferenciar uns dos outros” foi prá lá de discutido em relação a moda brasileira. Que, novata ante a tradicional moda do Velho Mundo, copiou, experimentou, copiou, experimenta  e caminha rumo a firmar sua identidade. Quem diria, munida na sustentabilidade.

“A Gente Transforma” é o tema da 33a. edição da São Paulo Fashion Week que se inicia hoje e busca firmar nossa identidade sobre a a sustentabilidade — não por acaso na semana que o olhar do mundo todo se volta para a nossa relação com o planeta no evento Rio +20.

A cenografia da Bienal, assinada por Marcelo Rosebaum, foi inspirada num trabalho desenvolvido por ele com artesãos de Várzea Queimada, no Piauí. Uma mesa redonda com o intuito de refletir sobre moda e sustentabilidade, com Paulo Borges, fundador da São Paulo Fashion Week,  e Oskar Metsavaht, criador da marca Osklen e do Instituto-E, entre outros, promete ser um dos pontos altos do evento (veja post anterior com informações sobre a mesa redonda). Ronaldo Fraga, estilista mineiro autoral e engajado, volta a mostrar suas criações nas passarelas da Bienal.

Se nossa identidade  de moda estiver focada na premissa sustentável certamente abrimos caminho para exportação — já que há demanda de mercado para moda/design de qualidade produzidos dentro de processos mais equilibrados. Várias de nossas marcas nascidas sob a ótica sustentável são pouco conhecidas no Brasil mas premiadas e ”economicamente viáveis” graças as exportações.

Encontrar  um caminho para desenvolver sua identidade de forma sustentável e, ao mesmo tempo, atender a um mercado emergente ávido por novidades está entre os maiores desafios da moda nacional. Quem sabe, após ser  prestigiada fora do país, nossa moda ganhe o mesmo status das peças logotipadas que em geral os brasileiros gostam tanto de comprar. Quem sabe…

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