Enfim, looks sustentáveis para trabalhar — e badalar!
Se tem uma marca que eu A-DO-RO é a Refazenda. As roupas e os acessórios são cheios de atitude e feitos sobre os preceitos da sustentabilidade há mais de 15 anos. Para quem ainda não domina muito esse jargão de “moda sustentável” o trabalho da Refazenda torna o conceito palpável: no ateliê da estilista, Magna Coeli, em Recife, nada se perde, tudo se transforma — os refugos são todos reaproveitados. Os tecidos, todos naturais, e nenhuma peça leva corante químico. O respeito a natureza se estende às parceiras de trabalho: Magna, que também é assistente social, visa “impulsionar” as cooperativas de rendeiras que participam do feitio das peças, aliás, não só participam, como ajudam na escolha dos tecidos e acessórios. No final, seguindo os preceitos do comércio justo, elas tem a possibilidade de ver a peça pronta e o valor a que serão comercializadas — são pagas de acordo com tudo isso. Se não bastasse os conceitos da marca para que eu seja fã, as peças são impecáveis, caem como uma luva e há roupas para todas as ocasiões. Inclusive para trabalhar, como prova minha visita ontem a loja da Vila Madalena.
Meu casaco quarentão
Meu ícone de mulher elegante é minha mãe. Sempre impecável, nunca a vi sem batom. Tênis, só agora que começou fazer ginástica. Bom, o hábito de viver sobre o salto herdei dela… Só não herdei a vontade de estar sempre com uma roupa nova – o que para ela, dona de boutique, é a coisa mais natural do mundo. Estranha por não querer aceitar toda semana uma roupinha nova sou eu. “Qual o problema de ter mais uma calça preta?”, diz, desapontada. Como podem imaginar, ela tem vários guarda-roupas. Um dia achei “encostado” um casaco lindo de pele sintética, daquele tipo que dá para fazer o estilo casual e montar uma produção mais sofisticada. Virou meu companheiro inseparável para enfrentar a “friagem” e as viagens. Vai com tudo! E o mais bacana é a história que ele tem por detrás: minha mãe o comprou quando tinha 16 anos, com seu primeiro salário. Ele já é um quarentão — mas continua tão em forma que pretendo guardá-lo para dar, um dia, à minha filha, Barbara.
Moderna e consciente
A recém-inaugurada ”Super Cool Market” faz jus ao nome e reafirma que a modernidade hoje está ligada ao consumo consciente. E, que ironia!, o escambo, troca promovida nos primórdios, funciona nessa loja “supercool”, que mistura nas araras peças “recicladas” (usadas e em perfeito estado de conservação); jovens estilistas e alguma produção própria. O que você levar — e for aprovado na triagem pelas sócias, uma delas a apresentadora da Fashion TV, Carla Lamarca –, vira crédito que você pode pegar na hora em dinheiro ou utilizar para trocar por outras peças. Já fui, curti, e estou com uma sacola de roupas para levar, espero, em breve.
Super Cool Market: Rua Purpurina, 219 Vila Madalena tel. 11 3031-1663
Minha bolsa preferida
Esqueça Louis Vuitton ou Dior. Minha bolsa preferida é da grife Maria Lixo. Lindas, cheias de personalidade e únicas, as bolsas são feitas a mão pela “green designer” Juliana Suarez, que desenvolveu um tecido a partir de sacos plásticos. Um tecido um tanto resistente diga-se de passagem — eu, que ando pra cima e pra baixo com a minha, continua intacta e fazendo sucesso por onde passa. Vale agendar uma visita para conhecer as bolsas, carteiras e agora também coisas para a casa feitas pela Jú — e ir com tempo pois, para quem se interessa pelo assunto, ela dá uma aula de sustentabilidade como poucos.
Reflexões, dicas e notícias sobre moda e sustentabilidade
E eu, que pensava que a moda do futuro misturaria algo como Jetsons com Matrix e Guerra nas Estrelas… Então o futuro chegou sem visuais plastificados e massificados, sem tendências previamente estabelecidas, coroando a individualidade e o retorno à simplicidade. E preocupar-se com o planeta, com o outro, nunca esteve tão na moda.

