design sustentável

I Mostra Nacional do Coletivo Brasil

Há muitas suposições de como será a moda daqui para frente, de onde surgirão novidades. “Inovação não é fazer uma blusa com três mangas!”, disse em entrevista o estilista-pensador Ronaldo Fraga. As mudanças estarão muito mais no papel que a moda vai assumir do que nas modelagens das peças.
Moda é comunicação — e nosso país é um celeiro de bons criadores que fazem roupas e acessórios  “com mensagem”. Não, nada a ver com camisetas panfletárias, mas uma moda sintonizada com nosso tempo, feita sob preceitos sustentáveis: ambientalmente equilibrada e socialmente justa. Traduzindo: peças de materiais que impactem de menor forma o meio ambiente, reaproveitem os resíduos que iriam parar no lixo e gerem renda para comunidades e cooperativas na busca de valorizar cada parceria em toda cadeia produtiva.
O Coletivo Brasil, idealizado pela designer de biojoias alagoana Patrícia Moura, que hoje reside em Pernambuco, surgiu com a missão de agregar e promover designers e estilistas de todo o país que  têm na base do seu trabalho a sustentabilidade. Hoje soma-se 22 marcas que, além do compromisso socioambiental, fazem uma moda globalizada, cheia de estilo e qualidade. E agregados voluntários, como eu, que colaboram com seu “know how”.
 ”A proposta é bem simples” , conta Patrícia Moura, “reunir marcas sustentáveis para juntas fortalecer este novo formato de se fazer moda, além da promoção de ações como capacitar e agregar grupos sociais, como é o caso do Mulheres de Fibra de Trindade (Paraty/ RJ) e do Grupo Bio Artes (Porto de Galinhas/PE), dos quais sou “madrinha” dentro do Coletivo Brasil. A sustentabilidade é um tema muito novo, e a ideia é popularizar, familiarizar a sociedade e, dessa forma, contribuir para transformar o comportamento através do conhecimento.”
No mês de maio terei a alegria de apresentar as criações de 13 marcas do Coletivo Brasil, além do trabalho de duas comunidades e uma ONG, no Espaço Moda do Futuro, que mantenho em São Paulo com a intenção de difundir e tornar mais acessível a moda sustentável feita no país.
A  I Mostra Nacional do Coletivo Brasil contará com decoração sustentável  assinada por Letícia Alencar e exposição de  editorial de moda com peças das marcas participantes  feita por Marcia Gamma, do Estúdio Hiperfashion. A curadoria da Mostra será feita por mim — com o prazer de trazer até vocês uma moda  com estilo, qualidade e conteúdo.
Abaixo, algumas imagens e a lista de marcas participantes para dar um gostinho! Prestigie!

 

I Mostra Nacional do Coletivo Brasil- Marcas participantes:
Grupo Bio Artes
Mulheres de Fibra de Trindade
Serviço: I Mostra Nacional do Coletivo Brasil
Lançamento 3/5 Coquetel para imprensa e convidados
 Aberto ao público de 4/5 a  3/6
Espaço Moda do Futuro: Rua Morais de Barros, 452, Campo Belo. Tel 11 5548-4141

Tudo novo de novo

Para começar o ano nada melhor do que uma boa dose de inspiração. E inspira ver criatividade a partir do que seria descartado; surgir beleza daquilo que  ”já era”. Reinventar é a prova de é possível fazer tudo novo, de novo.  Não só com objetos e coisas mas, principalmente, com a gente, com a  nossa vida. Um ano cheio de ”reinvencionices” para você! Continue lendo

Crise & oportunidade

Nesse momento escrevo da Europa, onde faço pesquisa de moda. E, como a moda está intrisecamente ligada aos acontecimentos socioculturais e econômicos de cada época não poderia deixar de falar dela — da crise. E a crise aqui está, de certa forma, em toda parte: nos protestos grandes (como greves de transportes públicos) e pequenos (como nos bem humorados  grupos que carregam faixas ou cantam suas “queixas”); no grande número de lojas fechadas com placas de ”vende-se ou aluga-se” e, para uma consultora de moda, gritante mais do que nunca no sóbrio e escuro figurino pelas ruas.

Durante toda a história vemos dois movimentos principais e antagônicos nas crises: a aposta na renovação dos clássicos, equivalente a “investimento seguro”, e o escapismo, quando as grifes apostam no sonho, no glamour — tudo que possa nos afastar dessa nuvem austera. Aqui em Barcelona, onde me encontro agora, os cortes clássicos e cores neutras são a aposta “sem erro” da maioria das marcas, num momento em que TVs e rádios não falam em outro assunto: a crise é a pauta da vez. É mesmo de assustar…

 

Quando viajo também gosto muito de conversar com as pessoas, perceber como sentem o momento, como andam suas vidas (a veia de jornalista…). Fiquei entristecida ao conversar com dois taxistas, muito instruídos e simpáticos, que haviam perdidos seus empregos nas áreas de restauração e construção civil. Diogo, gerente de um hotel sofisticado, me fez refletir com sua afirmação sobre a concorrência chinesa: ” Não temos como competir. Enquanto eles deixam que as pessoas trabalhem até morrer nós procuramos cuidar das pessoas, dos seus direitos e qualidade de vida. Não teremos como vencer essa guerra porque não vamos agir da mesma maneira”.

E nem precisa, Diogo. Momentos de crise também são grandes oportunidades para se criar. O belo do simples. O luxo do lixo. E isso também estou comprovando nessa minha viagem ao “Velho Mundo, em que o encontro mais turbulento do que de costume mas com forças para se reinventar como nunca. 

 

 

P.S Em breve compartilho muitas novidades com fotos de  melhor resolução tiradas com com a câmera profissional: essas são do celular, já que as demais ainda não tive tempo de baixar e editar ;-)

E a I Mostra de ModaEco no Espaço Moda do Futuro segue encantando…

Impossível não sair encantado com as criações das designers que participam da I Mostra de ModaEco no Espaço Moda do Futuro. Patrícia Moura; Katia Costa Pinto; Prazeres Accioly; Magali Marino; Thiana Santos e Cris Ballari  apresentam trabalhos autorais, cheios de qualidade e todos feitos de acordo com a premissa sustentável,  seja com upcycling ou utilização de matérias primas naturais. Moda sustentável de primeira linha feita por  esse núcleo pernambucano que, por enquanto, é mais conhecido no exterior do que no Brasil. Por enquanto…Porque certamente quem passou esses dias na Mostra saiu contando adiante sobre as belezas que viu e as inúmeras possibilidades de moda que temos a desvendar.

 

 
 
 
 
A imprensa também nos prestigiou. Entre os muitos sites, blogs e jornais que falaram da Mostra (muito obrigada a todos!), a ModaEco Pernambucana foi o destaque dos sites da premiada jornalista Lilian Pacce e do portal IG.
Em breve postaremos o clipping por aqui!
 
Agora só falta você! Até dia 31/05 a I Mostra de ModaEco Pernambucana seguirá encantando a todos que nos visitarem.
 
 Espaço MODA DO FUTURO: Rua Morais de Baros, 452, Campo Belo, São Paulo, SP. Tel. 11 5548-4141
10% das vendas dos produtos da Mostra serão revertidos para a ONG Ecotece (www.ecotece.org.br)

(Eco)Tecendo parcerias

 Eis que o novo ano chegou! Sim, pode ser uma simples mudança de calendário, mas  que essa (inspirada) virada renova nosso ânimo e nos empresta novo fôlego para recomeçar… ah,  isso um novo ano opera com maestria.

E junto com o número novo (que a gente vai errar por um tempo no cheque até se acostumar!), surgirão os anseios de mudança. De arrumar a casa; organizar a vida; (re)adquirir bons hábitos. Bom, eu sofro desse mal…que acaba, felizmente, cooperando para o bem, como você poderá ver nas novidades a seguir.

Estamos trabalhando numa nova roupagem para o blog. Ele vai ganhar dinamismo, organização e, o mais importante, mais colaboradores. A jornalista Nana Soma nos colocará a par dos eventos que tenham como pauta moda e sustentabilidade. As estilistas e designers “feras” que fazem  parte do Espaço MODA DO FUTURO: Magna Coeli, da Refazenda; Juliana Suarez, da Maria Lixo; Juliana Foz, da Lírio Lê; Susana Rodrigues e Patrícia Moura, ambas grifes de biojóias; Alice Lobo, da Verdinha e Básica; Daniela Arruda e Iva Cardinal da Bag for Life, além da querida equipe da ONG Ecotece, estarão aqui periodicamente, contando sobre as aventuras de um processo criativo às avessas– que começa na reutilização da matéria-prima (só para constar, na maioria das universidades de moda os alunos e designers aprendem primeiro a desenhar e, depois, a buscar o material que será utilizado) e demais desafios de se fazer uma moda linda e sustentável.

As novidades não param por aí: Dr. Eliezer Berenstein, médico, feminólogo e ecologista; escritor;  professor de Ecofeminismo na Universidade de São Paulo, também estará por aqui com seus textos que co-relacionam saúde, beleza e questões ambientais. Só para dar um gostinho: cada conversa com Dr. Eli é uma descoberta! 

 E, como sustentabilidade é tecida por parcerias, compartilho com vocês o convite que recebi de Ana Cândida Zanesco, fundadora do Instituto Ecotece (www.ecotece.org.br).   Eu e Ana compartilhamos de trajetórias com muitas semelhanças — ambas somos jornalistas que começaram a desenvolver projetos que aliam moda e sustentabilidade antes de tudo isso se tornar moda, literalmente. Desde 2004 andamos em parceria, sempre apoiando aos projetos uma da outra. Este ano Ana Cândida estará temporariamente afastada da ONG e foi com muito carinho — e honra — que aceitei o convite de estar mais perto da querida equipe do Ecotece, que continuará a todo vapor. Ministrarei parte do curso “Princípios do Vestir Consciente” e contribuirei com a parte de conteúdo dos projetos. Obrigada, queridas, pela confiança!  

Pelo jeito, ficaremos mais pertinho em 2011. Você terá mais motivos para visitar nosso blog com ainda mais frequencia. 

Benvindo 2011! Cheers!                                                                      

PS. O site www.danielleferraz.com também está sendo repaginado: consultorias e dicas de moda estarão lá, aguardem!

 

À moda de Recife

Refazenda, Patrícia Moura, Thiana Santos, Maria Ribeiro, Káthia Costa Pinto… muitos nomes da moda e design sustentável do país, já celebrados no exterior, são de Recife. E não pense que é de hoje: essas grifes têm uma longa estrada na criação de peças que aliam beleza com compromisso socioambiental — muitos começaram anos antes da palavra sustentabilidade se tornar moda (literalmente!)

  Convidei a querida designer de biojóias Patrícia Moura, cujo trabalho incrível  pode ser visto em São Paulo no Espaço MODA DO FUTURO,  para nos contar sua visão do Moda Recife, evento que fez a capital pernambucana ferver no mês de novembro. E em seu delicioso texto percebemos porque além de pólo de moda sustentável, Recife também é um dos cenários culturais mais democráticos do Brasil.

Com a palavra, Pat Moura. 

“O Moda Recife é um dos dez maiores eventos de moda do Brasil e, com toda certeza, o mais democrático e inclusivo de todos. Ninguém precisa de credenciais ou convites para conferir os dois dias de desfiles que apresentam a moda pernambucana. Assim, estima-se que 30 mil pessoas passaram nas margens do belo Capibaribe para conferir a programação do evento.

No ano passado, minhas criações desfilaram compondo os looks da Kikorum. Já  nesta terceira edição, acontecida em 25 e 26 de novembro, recebi o convite do Ricardo Coller, diretor da Casa de Produção e produtor do evento, para uma mostra de minhas criações  juntamente com a artista plástica Thiana Santos e a arquiteta e designer Katia Costa Pinto —ambas, nomes de peso no cenário da decoração, moda e arte pernambucana. Thiana eu já conhecia por seu trabalho incrível com o reuso de garrafas pet, tanto na decoração, quando nos acessórios de moda. Katia é famosa não só por seus conceituados projetos arquitetônicos e pela valorização da cultura e artesanato pernambucanos, mas também por sua capacidade criativa na produção de acessórios de moda exuberantes e de extremo bom gosto.  Em comum,  nós três envolvemos comunidades e/ou trabalhos sociais em nossas criações; usamos materiais diferenciados e somos comprometidas com o meio ambiente. E resultado do conjunto da obra da MOSTRA “Expressões”, com o trabalho de nós três, não poderia ser outro: ficou ótimo!  Cada uma com seu estilo próprio, mas em perfeita harmonia com o grupo…

Inaugurando a terceira edição do Moda Recife com a palestra Ser Sustentável com Estilo, a eco estilosa Chiara Gadaleta, antes de começar a falar, se deparou com o pessoal do Cine Chinelo levando seu protesto à passarela porque, segundo o líder do grupo, o espaço agora ocupado pelo Moda Recife, tinha sido reservado para o evento deles. Muita gente, inclusive eu, achou que o protesto era performance. Subiram na passarela acompanhados da elegância da democracia, encontraram a elegância da Chiara abrindo espaço para a palavra deles e foram embora depois do recado dado. Sem traumas. Eu nunca vi protesto e protestantes tão charmosos. (Adorei!)

A palestra da Chiara, foi, sem dúvida, um dos pontos altos do evento. A forma como ela abordou a sustentabilidade na moda e a inclusão social que ela proporciona, numa dinâmica diferenciada, palavras ilustradas com a realidade dos projetos e trabalhos de criadores de vários pontos do Brasil, nos deu a certeza de que não estamos sozinhos, somos muitos e precisamos estar em fina sintonia. O público adorou.

Marília Carneiro abriu a segunda noite com sua palestra sobre moda de novela e foi bacana saber de que forma ela prepara e veste os personagens que marcam a vida e influenciam tanto a moda do povo brasileiro. Simpáticas e muito aplaudidas, Guilhermina Guinle, desfilou Grendha e Isabela Fiorentino, convidada especial da Handara. Lindas.

Os desfiles mostraram que Pernambuco, além viver uma cultura efervescente, seja na literatura, música, artes plásticas, gastronomia, é também muito fashion. Vi muita coisa bonita, mas top para mim foi a grife  Macarius apresentando uma linda coleção de peças em renda renascença, a Sá.Maria, com sua coleção em linho, super feminina, exuberante e limpa e a Club Noir mostrando a coleção linda de alfaiataria. Walério Araújo desfilou conceito. Brincou com nossas lembranças de infância.

Senti falta de marcas como a Refazenda, Prazeres Accioly, Preta da Cor, Lourdinha Oliveira (Instituto Bantu,) marcas que faz moda com muito conceito, estilo e preocupação sócioambiental. Em resumo, foi  um super evento, lindo, mas as referências à moda consciente e sustentável basicamente se resumiram à palestra da Chiara e a mostra Expressões. Queria sentir mais comprometimento das marcas que subiram na passarela. Acho que podemos mais, muito mais. Já sei que Ricardo Coller e sua Casa de Criadores têm planos bem bacanas para 2011, quando será também o ano mundial das florestas. Não vejo a hora”.

Convite para um Natal cheio de estilo e sustentável

 

MODA DO FUTURO:do conceito ao concreto

Sempre trabalhei com conceitos. E me esforçava para torná-los o mais palpável possível embora percebesse que não era tão simples assim entender a tal “moda sustentável”.

Não posso, então, deixar de registrar o quanto tem sido maravilhosa a experiência com o espaço MODA DO FUTURO: enfim, ficou fácil de entender o conceito de “moda sustentável” pois ele está lá, na forma de criações incríveis, prontos a serem tocados, sentidos, experimentados.

A admiração de todos, conhecedora dessas criações há anos que sou, me espanta e encanta. São poucos os que conhecem o trabalho de designers e estilistas que pautam seu trabalho sob a ótica do cuidado com o outro e com o planeta. E elas não só encantam os olhos mas enchem de esperança o coração ao ver que sim, é possível fazer diferente.

Fotos: Clóvis Zanette

A ponte

Cresci em meio ao comércio de moda; negócio de minha família. Não há como negar a influência — desde a adolescência dizia que queria ser jornalista de moda, profissão na época meio incomum. Mas em vez de vendas eram mais ideias e conceitos que me interessavam, assim como a paixão pela escrita e pela imagem. 

Adentrando pelo universo da sustentabilidade, em meados de 2003, me encantei com o trabalho de estilistas e designers cuja produção era toda pensada em cima de questões socioeconômicas e ambientais. Gente brilhante que criara arte com o que outrora era lixo — coisas bacanas mesmo, já que não é apenas por ser sustentável que podemos avalizar que é belo. E eles conseguiam aliar o belo com o sustentável.

Desde então, trabalhando nessa área, comecei a perceber a dificuldade de se entender o conceito de moda sustentável. De torná-lo palpável, acessível. Quase sempre usava de cases para ilustrar o que falava e aí começava a sacar meus objetos de uso próprio para demonstrar. “Viu essa bolsa?” — e contava toda a história da peça.

E aí,invariavelmente, surgia a pergunta: “como faço para ter uma?”. Hum,hum, não era tarefa tão fácil. A maioria dos achados não se obtinham na esquina; se espalhavam por vários lugares do país e mesmo quando se concentrava nas metrópoles o acesso era com horário marcado — dificuldades que, sejamos sinceros, fazia com que simpatizantes acabassem optando pelos produtos “made in China” aos sustentáveis locais.    

Em meio a debates internos e externos sobre a acessibilidade, pensei, porque não, além de difundir a moda do futuro no mundo virtual fazer o mesmo no real? Ser uma ponte – que leva a descobertas; que desvenda o acesso; que une o que está longe mas dentro do mesmo conceito?

E,assim, estou gerando o espaço-conceito MODA DO FUTURO. Quero muito ser essa ponte; divulgar e disponibilizar  tudo o que eu mais gosto de moda sustentável — ainda que isso me custe voltar atrás ao juramento que fiz com minha família que nunca teria uma loja (não por nada, mas dizia que não era minha praia). Esta é!

Lampejos da moda do futuro

 

Sou jornalista de moda — nunca escrevi sobre outro assunto. Ainda na faculdade, havia me esquecido de entregar um trabalho quando, às pressas, regidi um texto sobre moda. No final da aula, o professor me chamou. E eu, que já esperava a bronca pelo texto “nada a ver” fui contratada para escrever semanalmente para o jornal do qual ele era dono. E nunca mais parei. Minha atuação na área de moda foi expandindo — do texto, passei a produzir e editar fotos; desfiles; ministrar aulas e consultorias para empresas.

Mas assim como a moda está no meu DNA, as questões socioambientais também. Sou inconformada e questionadadora por  natureza; idealista até o último fio de cabelo. A dor do outro dói em mim — não consigo simplesmente virar o olhar para mim mesma e minha vida boa enquanto há tanto sofrimento ao lado. Difícil pra mim desfrutar da paisagem aqui da minha janela quando sei que em nome de interesses maiores o ecossistema vai sendo destruído — pura bobagem já que dependemos de todo o equilíbrio para sobreviver.

Encontrei meu caminho em meados de 2003, quando percebi que minha atuação podia ir além do trabalho que fazia; me atentei que poderia usar a moda como veículo para difundir conceitos sustentáveis. E mais: pouco a pouco surgia (e surge) novos estilistas e designers engajados, cujas peças trazem arraigadas as preocupações socioambientais. E sempre que vejo o trabalho de um deles me emociono.

 

Como o do Eduardo Miguel, que acabo de visitar em seu ateliê em Santo Antônio do Pinhal (SP). Sua matéria-prima são os galhos recolhidos; madeiras doadas por fazendeiros; resíduos dos mais diferentes que sobraram em algum lugar e alguém lembrou de guardar porque sabia que o artista reaproveita tudo.

Presenciei uma cena um tanto que especial enquanto estive lá: um senhor que trabalha na confecção de violinos entregava para Eduardo Miguel resíduos como crina de cavalo que sobrara de seu ateliê. Ao mesmo tempo chegou um outro senhor, dono de uma pizzaria, para recolher as sobras de madeira do Eduardo Miguel para usar como lenha em sua pizzaria. Ah, que inspirador, como seria o mundo se seguissémos esse ciclo? E, penso comigo, a minha missão é difundir e fazer disso virar moda. Afinal, essa é a moda do futuro.  

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