consumo consciente

A conta não fecha

Em conversa recente com a jornalista Alice Lobo, quando fomos entrevistadas para o programa do SWU, comentamos a frase que dá título a este post quando questionadas sobre fast fashion: “a conta não fecha!” Contabilizando os itens necessários para se fazer uma camiseta, por exemplo, debatemos a questão do custo das mesmas ser mais caro do que os preços praticados por alguns dos grandes magazines. E, se a conta não fecha, alguém está pagando — bem caro — por ela.

Pode ser um trabalhador do campo, contaminado por excesso de pesticidas. Ou um imigrante  latino acuado numa oficina de costura (?) na qual trabalha em condições desumanas.

A regra do fast fashion é clara: oferecer o máximo de produtos possíveis ao valor mínimo possível. E tudo isso com o máximo de lucro. Alguém, claro, tem que pagar essa conta que não bate…

Ontem foi a vez da marca espanhola Zara ser autuada por trabalho escravo. Me pergunto quanto tempo vai demorar para esse crime cair no esquecimento e as longas filas formaram-se nos caixas das lojas nos finais de semana… Enquanto buscarmos o melhor custo-benefício apenas para o nosso bolso — e, na hora das compras, não pensarmos no próximo, no planeta, estaremos na direção contrária de um mundo mais sustentável. Tal qual aqueles que compram produtos piratas cientes da indústria criminosa que há por detrás; se sabemos que uma marca prática tais atos desumanos e continuamos a consumir suas roupas somos, no mínimo, cúmplices.

Para ver a reportagem completa sobre a ligação da Zara com trabalho escravo acesse o site da ONG Repórter Brasil: http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1925

 

Por um ano mais sustentável

Sim, você pode incluir em suas metas para 2011 “ter atitudes mais sustentáveis”. E não pense que para isso você precisa seguir os passos do ”No Impact Man”, documentário feito pelo escritor nova-iorquino Colin Beavan, que retrata seu dia a dia radical na tentativa de não gerar impactos ambientais. Boa iniciativa, mas de implementação utópica para a maioria de nós (você não trocaria seu shampoo por bicarbonato de sódio, não?)

    Ter a consciência de que nossas atitudes diárias têm impacto global e adotar medidas simples que, no coletivo, podem fazer a diferença para um planeta que urge por socorro, talvez seja o melhor caminho. E, para quem não sabe por onde começar, algumas dicas para um ano mais sustentável: adapte-as à sua realidade e comece já a colocá-las em prática. 

1. Informe-se. Nem tudo que se autodenomina “verde” faz jus ao título. Procure saber mais sobre suas marcas e produtos preferidos. Como é seu processo fabril? Sua relação com os empregados/comunidade? Como trata a questão da água? Há tecnologias empregadas para redução dos impactos ambientais? Várias intituições, como por exemplo, o Instituto Akatu e o Ethos, trazem análises importantes em seus sites, assim como várias mídias sérias que tratam de sustentabilidade. “Considerar um produto “verde” com base em apenas em um só atributo — e ignorar aspectos negativos — é mera ilusão” (Daniel Goleman).

2. Coloque em prática aquelas dicas “que está cansado de saber”. Sim, você já sabe que precisa tirar da tomada eletrônicos que não estejam em uso. Que precisa apagar todas as luzes que não está utilizando. Que precisa fechar a torneira quando estiver lavando a louça ou escovando os dentes. Separar materiais recicláveis do lixo orgânico. Estamos cansados de saber tudo isso, mas temos colocado em prática?

3. Tente viver com menos plástico. Sim, eliminar totalmente o plástico de nossas vidas é realmente difícil. Mas podemos viver com menos plástico. Além de demorar séculos para se decompor, o plástico é nocivo para todo o ecossistema e até mesmo para nossa própria saúde: o plástico em contato com o cafezinho quente ou o líquido da mamadeira libera toxinas prejudiciais  ao nosso organismo. 

4. Pratique cada vez mais o consumo consciente. Em época de liquidações, como agora, essa dica parece surreal? Não precisa fugir das promoções, mas tente ir com foco: faça uma lista do que precisa (ou deseja) e aproveite para adquirir com descontos. E cuidado com as compras por impulso: a maioria das roupas que são compradas “porque estavam uma pechincha” nunca saem do guarda-roupa!   

5. Conheça seu corpo. Saber o que lhe cai bem e valoriza o seu biotipo é meio caminho para compras certeiras — peças que vão ser bem usadas e não apenas fazer volume no closet e alimentar a sensação comum do “tenho tanta roupa mas nada para vestir!”

6.Seja adepto da reutilização. Com a moda cada vez mais democrática e um visual individualizado valorizado, os brechós tornam-se uma ótima opção para compras. Lembre-se que os aterros sanitários são o destino final de tudo o que não será mais usado: quanto mais aumentarmos a utilização de uma peça, melhor para o planeta (e para o bolso!)

7. O barato pode sair caro demais. Jás escrevi até mesmo um post com esse título. Roupas muito baratas, na maioria das vezes, são de baixa qualidade o que faz com que seu ciclo de vida seja curto. Ou seja, vão bem mais rapidinho parar nos aterros sanitários. Além disso, parte da matéria-prima empregada, por ser de menor qualidade, tende a ser mais nociva para o planeta –e, a longo prazo, para nós mesmos. Pense também na questão da mão-de-obra: grande parte da roupa que nós usamos são feitas por oficinas terceirizadas para as marcas. Se pagamos R$ 10,00 pela peça, quanto será que a costureira recebeu? Sustentabilidade não diz respeito apenas a questões ambientais, mas também sociais.

8. Compartilhe informações. Muito dos nossos hábitos vem de uma época em que não se havia consciência de como os produtos; processos e atitudes afetam o planeta e, consequente, todos os seus habitantes. Algo hoje inaceitável, como lavar a calçada com mangueira, por muito tempo foi  considerado”normal”. Para alguns ainda o é, talvez pela simples falta de informação. Tudo o que você, que se interessa, sabe, passe adiante!

Trocar está na moda

Por Danielle Ferraz 

Quando era criança ansiava por encontrar minha prima, Marissol, que morava em outra cidade, não só pela certeza de  iríamos nos divertir muito mas também por saber que voltaria para São Paulo com guarda-roupa novo. O combinado era o seguinte: quando tínhamos a oportunidade de estar juntas trocávamos grande parte de nossas roupas. A brincadeira de infância, creio eu, já era um sinal de nossa paixão por moda: me tornei jornalista e consultora de moda; Marissol, estilista.

Mais de 25 anos depois nossa brincadeira se repete entre gente grande pelos quatro cantos do mundo. Bazares de troca entre amigas — e até desconhecidas–, pipocam entre pessoas que querem adotar hábitos de consumo mais saudáveis, dentre eles, trocar o que está parado no guarda-roupa por peças com o mesmo destino no closet de outras pessoas.  

Longe de serem considerados brechós, as clothes swaps, como ficaram conhecidos os bazares nos Estados Unidos e Europa, são uma boa alternativa para trocar e adquirir peças mais sofisticadas, como vestidos de festa e bolsas de grife — peças que, em geral, não são doadas para instituições de caridade.  Aqui no Brasil, o movimento dá os seus primeiros passos.

 Os eventos “Closet da Mel” (http://closetdamel.spaceblog.com.br) e “Free your closet”, promovidos pela empresária Cathy Henry, são ótimos exemplos dos novos bazares que se configuram como espaços de compra e troca de roupas e acessórios usados mas em perfeitas condições de continuarem na ativa. O próximo está programado para agosto e você também pode participar: veja como no www.freeyourcloset.wordpress.com/

Já para quem deseja montar um bazar com as amigas, o quadro E-Bazar, que criei para a webtv Moda que Muda (www.modaquemuda.com.br), dá o exemplo de uma dinâmica simples para que organizá-lo.

E, quem deseja ir além das trocas de roupas, precisa se filiar a  The Freecycle Network™ (http://www.freecycle.org/),  uma  organização não-governamental fundada por Deron Beal em 2003, e que hoje se encontra em 85 países ao redor do planeta. Seu negócio: promover a troca de coisas – seja uma cadeira, um piano, uma porta ou uma roupa usada – entre pessoas. Existem milhares de grupos em cada um desses países, inclusive no Brasil, que conta com 25 representantes.

 O interessante desse movimento mundial são as trocas não apenas das roupas e objetos em si, mas também de contatos e experiências. Afinal, as pessoas que participam desses bazares são aquelas que de certa forma se preocupam com o destino final dos seus pertences e com o meio ambiente. E esperam que suas peças inutilizadas tenham a chance de desfilar por aí em vez de ficarem anos e anos se decompondo num aterro…

Reportagem de Nana Soma (http://theconsciousclothing.wordpress.com/

Um pretinho muito além do básico

Imagine uma marca de roupas que confecciona apenas um tipo de peça… Pois do ateliê da Bright Young Things só sai  um único modelo de vestido preto.

Lançada semana passada pela designer Eliza Starbuck, a proposta da marca é encorajar as consumidoras ao movimento “slow fashion”, uma vez que o corte prático, versátil e confortável do vestido permite que ele seja usado de inúmeras maneiras e nas mais diferentes ocasiões. 

 A ideia para o negócio surgiu a partir do vestido preto que Eliza criou para Sheena Matheiken, autora do  desafio The Uniform Project, cuja proposta de desfilar uma mesma peça durante um ano cumpriu sua proposta de chamar a atenção da mídia e dos consumidores para questões socioambientais (http://theuniformproject.com/).

 Abaixo, algumas garotas usando o seu little black dress de diversos modos: aberto ou fechado; virado para frente ou para trás; como vestido ou base para outras combinações… Veja que o look ganha o estilo que você quiser incrementado por acessórios e com sobreposições. Na loja online da marca o vestido sai por $185.

Que essas imagens nos inspirem a colocarmos em prática nossa criatividade todas as vezes que abrirmos o guarda-roupa e rezarmos o velho “ai, não tenho nada para vestir hoje…” 

www.youbrightyoungthings.com

Reportagem: Nana Soma  Edição: Danielle Ferraz

Consultoria de moda & Consumo Consciente

Adorei o comentário de uma cliente de consultoria de moda ao ser questionada sobre se não seria melhor gastar o dinheiro pago pela consultoria todo em roupas novas: ” E de que adianta, daí a gente compra tudo errado, continua com o guarda-roupa cheio e sem saber o que vestir!”

Vejo a consultoria de moda como umas das ferramentas para o consumo consciente. Porque a partir dela vou aprender o que me valoriza e como fazer um mix com as peças do meu guarda-roupa para um visual cheio de estilo. E esta é a chave para um look “estiloso”: valorizar quem o veste; combinar com seu estilo de vida/estar de acordo com ocasião e ser “personalizado” por um mix de peças que deixem o visual único, como cada um de nós somos. 

Comprar o que me cai bem, me valoriza, vai me ajudar a não ter aquele mooonte de peças paradas no guarda-roupa. Ter um bom mix de básicos vai me ajudar a coordenar meu guarda-roupa mais facilmente. Adquirir conscientemente (e não por impulso!) acessórios que combinem comigo e peças mais “fashion” vão ajudar a dar aquele toque a mais.

É possível se exercitar e se aprimorar no arte de construção de estilo. Algumas dicas?

1.Comece com uma boa limpeza no seu guarda-roupa e passe adiante tudo aquilo que realmente você não vai usar.

2. Depois, monte as mais diferentes  produções com suas peças: se o mix ficou bacana, fotografe!

3. Por último, faça uma análise do que você precisa para atualizá-lo e para facilitar as combinações. Quase sempre falta uma boa calça jeans escura de corte reto; regatas e blusas de gola alta para usar em sobreposições e um essencial sutiã tomara-que-caia.

Para inspirar a criação de looks cheios de estilo, algumas fotos feitas por algumas das alunas de um dos “Workshops Outono-Inverno MOB” que ministrei. Os looks foram criados e fotografados por elas; que também são as modelos das fotos. Enjoy!

Um bazar para chamar de seu

Se eu abrir meu guarda-roupa agora tenho certeza  que vou encontrar várias peças que não vou usar mais. Creio que você também! Sim, procuramos fazer aquela limpeza periodicamente; temos por regra tirar uma peça quando compramos outra… mas, sejamos sinceras temos mais coisas do que vamos usar. Fora que algumas peças são complicadas até de doar para instituições — aquele vestido todo bordado que usou como madrinha; aquele biquini bacanérrimo que não provou direito. Por isso, a-do-ro marcar uma tarde de trocas de roupas com as amigas. A gente separa tudo que está parado; leva umas comidinhas e bebidinhas; desfruta de um tempo supergostoso e volta para casa cheia de roupa nova. Sem custo para o bolso e sem ônus para o planeta. Boas trocas!      

PS. Assista o E-Bazar, da webtv MODA QUE MUDA, www.modaquemuda.com.br  ou no UOL, mais.uol.com.br/modaquemuda, e comece a preparar o seu! 

Tira um

Dia da Criança. Sim, é uma data comercial sem sombra de dúvida, mas não tem como fugir e deixar de dar uma lembrancinha para o filhote (no meu caso, filhotes!).  E, claro, a gente tenta administrar a escolha do presente dentro de alguns critérios, mas depois de uma certa idade eles já tem uma ideia (fixa!) do que querem. Este ano, por exemplo, a fissura é pelo Ben 10. Eu nem sabia do que se tratava, eles nunca o haviam assistido, mas por conta da influência dos amigos já adoravam o Ben 10. O avô insistiu que queria dar algo do personagem. Ok, Ok. Então sugeri ao avô que pelo menos desse a sandália, algo que eles precisavam e teria utilidade. Creio que datas como essa são também boas oportunidades de ensinar as crianças a dividir: ganhou um brinquedo, tira outro do armário (em bom estado para doar àqueles que não tiveram a mesma oportunidade de ganhar um novo). E assim a gente vai plantando a sementinha do desprendimento; do não acumular e do consumo responsável. Quem sabe lá na frente colheremos uma geração com um olhar mais voltado ao outro…

Moderna e consciente

Super Cool MarketA recém-inaugurada ”Super Cool Market” faz jus ao nome e reafirma que a modernidade hoje está ligada ao consumo consciente. E, que ironia!, o escambo, troca promovida nos primórdios, funciona nessa loja “supercool”, que mistura nas araras peças “recicladas” (usadas e em perfeito estado de conservação); jovens estilistas e alguma produção própria. O que você levar  — e for aprovado na triagem pelas sócias, uma delas a apresentadora da Fashion TV, Carla Lamarca –, vira crédito que você pode pegar na hora em dinheiro ou utilizar para trocar por outras peças. Já fui, curti, e estou com uma sacola de roupas para levar, espero, em breve.

Super Cool Market: Rua Purpurina, 219 Vila Madalena tel. 11 3031-1663

Sobre ovelhas e consumo consciente

Sim, sou adepta do consumo consciente. Contra o consumo inconsequente que acaba com recursos finitos do planeta; o adquirir desmedido e irracional — que muitas vezes usamos para tapar vazios da alma. Mas também tenho minhas derrapadas– e quem não dá que atire a primeira pedra… Dias desses fui com meus filhos numa loja comprar um CD e na vitrine tinha uma ovelha de pelúcia. Devia estar lá há anos. Imagine a mais empoeirada e encardida das ovelhas. Pois bem, eles amaram. Racionalmente eu nunca compraria aquela ovelha (“vocês já tem tantos bichos”; “ela é puro pó!”). Mas a alegria deles com a ovelha falou mais alto… E eu, uma promotora do consumo consciente sai da loja com algo que não precisava…e acreditem, que precisou de um belo banho quando chegou em casa!

Siga o Moda Do Futuro!


Moda do Futuro quer ouvir você.