Sobre burcas e liberdade de expressão

Acabo de redigir o título e releio: não soa um tanto estranho aliar numa frase burca e liberdade de expressão? A vestimenta muçulmana negra, que cobre a mulher da cabeça aos pés deixando apenas os olhos à vista por uma tela, não seria a antítese da liberdade de expressão, já que tira das mulheres o direito de se expressar através das roupas? Afinal, exercemos esse poder de comunicar sobre nós mesmos cada vez que fazemos uma escolha diante do guarda-roupa.

Na última segunda-feira, 11  de abril, a França decretou uma lei –com pena e multa — para as mulheres que usarem burcas ou Niqab, véu que deixa também apenas os olhos à mostra.  Cerca de 10% da população francesa hoje é formada por muçulmanos. 

Cabe ao governo restringir e punir vestuários que, por mais que nos constranjam, fazem parte de uma cultura? Estaria o Estado ajudando a libertar as mulheres dessa forma de opressão — ou, mediante a proibição de um vestuário, intervindo numa expressão religiosa e cultural a que as pessoas teriam direito?

E se, de repente, o vestuário dos índios e suas intervenções corporais nos fosse um acinte, e proibíssemos? E, incomodados com as religiões afro-brasileiras, retirássemos o direito das vestes brancas, colares e turbantes? Ou o direito de mulheres de algumas denominações evangélicas usar saias e não cortar os cabelos?

Desejo um mundo em que as pessoas possam ter liberdade de escolha para se vestirem. E que a escolha partam delas — não sejam impostas pelos maridos, religiões ou ainda pelo Estado. 

E, sim, faz sentido burca e liberdade de expressão coexistirem na mesma frase: a liberdade só é plena se dá margem, até, para o uso das burcas.

Gosto muito dessa foto que tirei em Viena que, creio eu, exemplifica bem nosso desejo de se expressar pela moda: a mãe cobre a cabeça segundo as tradições religiosas mas não deixa de colocar um toque de cor no look sóbrio. E, conscientemente ou não, faz um belo composê de estampas com o lenço de sua filha.

9 respostas a Sobre burcas e liberdade de expressão

  • Luciana disse:

    Adorei o post. Todos os questionamentos que levantastes me vieram a cabeça, e, lembrei que em outra época na China a cor amarela era proibida para o população, uma cor que somente podia ser usada pelo imperador. Estes atos comuns do passado descrevem um retrocesso que vivemos hoje em relação aos conceitos de vida pública e privada que estão tornando-se relativos, se misturam e muitas vezes desaparecem e podem nos levar a ditaduras e a intolerância. Que poder o Estado deve ter sobre a forma que me visto, a hora que devo dormir, onde e como devo estudar… É preciso respeitar o direito individual de ir e vir, de expressão, de escolhas. No lugar de proibir – o que neste caso específico me parece uma retaliação homofóbica – quem sabe criar espaços de interação destas culturas para que com amor, respeito e solidariedade achemos um caminho de entendimento as diferenças e a construção de igualdades.
    Luciana Ebeling

  • Celia Menezes disse:

    Esse caso é ainda pior, pois interfere na cultura de um outro povo, outro país!
    É um total absurdo!
    Quem diria… um país do “1º mundo” ter essa postura, esse pensamento! É quase surreal!
    E causa mais indignação pois elas estão impotentes para qualquer atitude… a não ser mudar-se de lá.
    Será que estamos mesmo no século XXI?!?!
    Ou será que ele será o “século do retrocesso”?!?!

    Celinha Menezes

  • Eva Souze disse:

    eu n acho que é uma pressão elas usarem burcas pq vi uma vez uma reportagem em que as moças muçulmanas estavam protestando e dizendo que estavam dispostas a darem a vida pelo profeta maomé.. enfim elas estavam protestando contra um bando di idiotas que estavam tentando convencer as mulheres muçulmanas a tirarem a burca.

    eu acho que tem gente tentando acabar com essa religião tão linda e q vem crescendo cada vez mais.essa religião é de gente corajosa q n é q nem nois cristãos que TUDO oque os outros vão flando vamo aceitando…ex: um dia eu vi tbem uma reportagem recente de um homem cristão fdp q tinha 3 mulheres, uma semana depois passou uma reportagem BEM parecida, era um homem com cristão c 2 mulheres, detalhe: q eu saiba mto bem os muçulmanos podem ter uma ou mais mulheres,mas isso pq é a religião deles eNÃO pq vão aceitando tudo oque vão metendo e enfiandoo p eles ,caso algum engraçadinho venha querer mudar a religião eles vão mandar o msm p/ inferno!! …. enquanto nós cristãos vamos aceitando TUDO oqe os outros fdps vem flar! isso é uma vergonha!

    • Na minha opinião, Eva, a grande questão é um Estado laico começar a interferir nas múltiplas formas das pessoas manifestarem sua crença, como por exemplo, o modo de se vestirem. Concordando ou não com as escolhas ou vestimentas, não cabe ao Estado decidir o que se pode ou não usar — porque a hora em que a gente “pisa” nesse terreno a gente cai numa série de censuras que em vez de contribuirem para um mundo melhro só causam discórdia não é mesmo? Respeito nunca vai sair de moda!

  • olha eu acho q tanto a Eva e a Danielle estão certas…..mas oque é de fato verdade incontestável é q ninguém tem direito de proibir a vestimenta de uma determinada religião pq essa questão de crença é mto delicada e cada um tem o seu direito q é exatamente oque a Eva disse. mas como a Danielle disse,os muçulmanos deveriam tbem respeitar a vestimenta das outras religiões quando os mesmos vão a um paíz onde a religião predominante é a deles,ou seja eles n tem oque interferir na nossa vestimenta(crença)e nem a gente na deles. e que pena q a Danielle comparou respeito a moda pq moda é uma coisa bonita,gostosa mas passageira.
    bjus aos leitores

    ah eu adoreiiiiiiiiii esse blogue é bem interessante e coloca positivamente para todos terem o direito de refletir. ; )

    • Obrigada Juliana por também dividir com a gente sua opinião! Mais do que estar “certos ou errados” nossa ideia é poder refletir despretenciosamente sobre como a moda está contextualizada nessa época tão conturbada em que vivemos. E perceber que mesmo que não concordemos com fatos ou posicionamentos, o respeito, a gentileza são sempre os melhores caminhos. Usar burcas, para mim, ocidental que a cada dia tenho direito de sair como quiser, chega a “arrepiar”, mas isso não me dá o direito de impedir um costume ligado a uma religião. Reafirmo: quando entramos nessa esfera das censuras só colhemos mais desavenças. Grande abraço, Danielle
      P.S Sempre que puder dê uma passadinha por aqui!

  • Mriana disse:

    eu sou islã e vejo q a impressão q a imprensa passa dos islamitas é de que são um povo muito mal, mas a história é bem diferente: a verdade é q em alguns lugares como o afeganistão a doutrina segue bem mais rígida doque em outros lugares… eu estava no shopping c uma amiga q era católica me perguntou pq eu estava maquiada e se isso n era contra a minha religião. mas a verdade é q tudo q for p embelezar uma mulher é só p ser usado em ambiente familiar ou só pro marido.já em outros lugares ou paizes a questão cultural vai além da religião e dependendo as mulheres nem usam burca.

  • n sei pra que se preocupar tanto assim com a religião dos outros!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Gustavo disse:

    genteeeeeeee,vamo parar de fazer blog p falar mal da religião dos outros, vamos respeitar queira ache estranho ou naum!!! afinal.crença é uma coisa inquestionavel. apesar desse seu geitinho d jornalista (q sabe mto bem como seduzir as pessoas) perseba vc danielle q o mundo tah virando do avesso com essas ideias de “leberdade”/”direito”…é só flar pro povo q usar drogas é um DIREITO de cada ser humano q o faz q logo virão leis p defender o uso das drogas…. vamos parar de ser enganados pela sofisma e enchergar a realidade
    (comentei aki memo pq meu pc tah ruim)

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