Identidade & Sustentabilidade
Identidade. “O conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se pode diferenciar uns dos outros” foi prá lá de discutido em relação a moda brasileira. Que, novata ante a tradicional moda do Velho Mundo, copiou, experimentou, copiou, experimenta e caminha rumo a firmar sua identidade. Quem diria, munida na sustentabilidade.
“A Gente Transforma” é o tema da 33a. edição da São Paulo Fashion Week que se inicia hoje e busca firmar nossa identidade sobre a a sustentabilidade — não por acaso na semana que o olhar do mundo todo se volta para a nossa relação com o planeta no evento Rio +20.
A cenografia da Bienal, assinada por Marcelo Rosebaum, foi inspirada num trabalho desenvolvido por ele com artesãos de Várzea Queimada, no Piauí. Uma mesa redonda com o intuito de refletir sobre moda e sustentabilidade, com Paulo Borges, fundador da São Paulo Fashion Week, e Oskar Metsavaht, criador da marca Osklen e do Instituto-E, entre outros, promete ser um dos pontos altos do evento (veja post anterior com informações sobre a mesa redonda). Ronaldo Fraga, estilista mineiro autoral e engajado, volta a mostrar suas criações nas passarelas da Bienal.
Se nossa identidade de moda estiver focada na premissa sustentável certamente abrimos caminho para exportação — já que há demanda de mercado para moda/design de qualidade produzidos dentro de processos mais equilibrados. Várias de nossas marcas nascidas sob a ótica sustentável são pouco conhecidas no Brasil mas premiadas e ”economicamente viáveis” graças as exportações.
Encontrar um caminho para desenvolver sua identidade de forma sustentável e, ao mesmo tempo, atender a um mercado emergente ávido por novidades está entre os maiores desafios da moda nacional. Quem sabe, após ser prestigiada fora do país, nossa moda ganhe o mesmo status das peças logotipadas que em geral os brasileiros gostam tanto de comprar. Quem sabe…

