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Moda de respeito

Algumas palavras com o passar do tempo vão adquirindo maior significado e importância. A palavra da vida hoje, para mim, é respeito. É uma palavrinha assim mágica, com o poder de deixar todas as relações mais saudáveis.

A começar pela nossa relação conosco. Quando a gente se respeita a gente se valoriza através de nossas escolhas — inclusive no tão importante ato cotidiano de se vestir. Quando a gente se respeita a gente aprende a dizer não para modismos que estão em voga mas não tem nada a ver com a gente. E também diz não para aquela peça linda que a gente “amou de paixão” mas que não cabe no orçamento (e vai se transformar numa dor de cabeça no formato de parcelas!). Aprender a dizer não quando o mundo todo pede que digamos sim pra tudo já que, ora, “o  importante é ser feliz agora!”,  é uma baita atitude de respeito!

Acredito que aprender a se valorizar e otimizar o guarda-roupa é a chave do estilo – e também de um guarda-roupa consciente. E também que uma atitude mais sustentável — de respeito — com nosso planeta começa dentro da microesfera “nossa casa”. Ou nosso guarda-roupa, se preferir.

E é com isso em mente que iniciei esta semana um novo desafio a convite do Yahoo! Brasil: ser colunista de moda do portal, assinando o blog Tá na Moda,  e apresentar um programa que idealizei com o objetivo de resolver dilemas fashion de uma maneira, digamos, mais sustentável.

O blog “Tá na Moda” já está no ar e por lá, duas vezes por semana,  compartilharei minhas dicas de moda. O programa estreia em maio!

E o Moda do Futuro continuará por aqui, reservado para repartir com vocês minhas reflexões. E também aquelas histórias inspiradoras que ganham não só minha admiração, mas também meu –nosso!– respeito.

Pernambuco feito a mão

Se há hoje um polo nacional com moda e design produzidos de maneira sustentável e com interessância esse lugar é Pernambuco. Há sim belos trabalhos por todo o Brasil, mas lá em Pernambuco os criadores conseguiram um feito: se organizarem e unirem forças para ganhar mercado. E assim nasceu o  projeto “Pernambuco feito a mão” com o objetivo de valorizar, promover e comercializar peças de diversos “ecodesigners” locais.

O projeto foi idealizado pela artista plástica e designer de biojoias Patrícia Moura,  que tem no seu currículo a arte de agregar: é dela também a iniciativa do “Coletivo  Brasil- Moda Sustentável” — coletivo de criadores de todo o país com o intuito de trocar experiências e promover ações para que todos ganhem visibilidade. Graças, sobretudo, a um engajado grupo pernambucano o “Coletivo Brasil” representou o país em diversos eventos internacionais ligados a moda sustentável: as criações foram parar em exposições e passarelas da Colômbia; Uruguai; Espanha e Holanda. E aqui em São Paulo também, num evento que produzimos a muitas mãos no Espaço Moda do Futuro.

 

 

 

Apoio esses criadores não só pela questão da sustentabilidade — já que, como costumo dizer em palestras e escrever por aqui –, essa característica não basta para encantar e vender. Cada um desses trabalhos têm beleza, qualidade e originalidade — atributos mais que bem-vindos em meio a uma moda pasteurizada. O tipo de peça que te param na rua para perguntar de onde é…

Localizado no Espaço Cultural Hora do Passo, no bairro turístico de Boa Viagem, em Recife, o projeto “Pernambuco feito a mão” expõe o artesanal produzido com modernidade e preocupação socioambiental. Para inglês ver — e nós, brasileiros, darmos valor…

 

Pernambuco Feito a Mão

Espaço Cultural Hora do Passo

Rua Dom Estevão Brioso, 72 – Boa Viagem- Recife/PE

E-mail: pernambucofeitoamao@gmail.com

Tel: (81) 3031-7085/ 9904-8021

O poder transformador do design

Conheci Juliana Foz numa banca de formandos do Senac. Com suas criações que aliavam moda e sustentabilidade com beleza e poesia encantou, não só a mim, mas a todos os presentes: foi a única estudante, na data, a receber 10 com louvor. Estreitamos laços. Desde então acompanho o trabalho da estilista  que deseja ir além da criação propriamente dita: ela deseja usar a produção como ferramenta para um mundo melhor.  Aqui ela conta para a gente como está fazendo a diferença num dos maiores assentamentos do país.

Por Juliana Foz*

A aproximação entre designers e artesãos é um fenômeno de extrema importância pelo impacto social e econômico que gera e por seu significado cultural. Trabalhar com a identidade local e com o cotidiano faz com que os artesãos tenham mais orgulho das suas origens. Os produtos feitos a mão tem alma, transferem algo que vem de nós mesmos, em vez da uniformidade e da padronização dos objetos industriais. São únicos, têm a beleza da imperfeição. Eles nos contam de um lugar preciso, onde foram feitos por pessoas concretas, trazem um sentido de pertencimento. Neste contexto, o papel do designer, do profissional que pensa criativamente o futuro, é ser uma ferramenta que resolva problemas e necessidades humanas, pensando  de maneira inclusiva e inovadora.

Em sua parceria com o artesão o designer deve pensar em como propiciar à sociedade a ao entorno novos valores; pensar também como criar uma sociedade melhor e, a partir daí, no que podemos produzir para que essa sociedade seja diferente. Os objetos produzidos serão simplesmente o meio, a forma que vai conduzir à compreensão de uma mudança. Acreditando neste poder transformador do design, o objetivo principal do “Projeto Mãos que Tecem Histórias” é oportunizar novas perspectivas de vida às mulheres, para que elas mesmas teçam novos rumos para o futuro: trabalhando, aprendendo e sendo detentoras de seu próprio ganho.

O “Projeto Mãos que Tecem Histórias” foi iniciado com o Grupo de Mulheres “Flores do Campo”, dentro da Agrovila Campinas/ Assentamento Reunidas, maior assentamento de terras do Estado, localizado na cidade de Promissão/SP. O nome do projeto propõe a conexão e ressignificação de diversas histórias e origens de diversas partes do Brasil, e que se uniram em uma mesma terra, também criando costumes e identidade neste lugar. O projeto objetiva mapear as potencialidades da região quanto à técnicas de artesanato, matérias-primas e talentos criativos para então desenvolver produtos com a identidade local, gerando impacto social: aumento de renda e ganho de autoestima dos artesãos envolvidos.

Não esperar pelo ideal, trabalhando com o que esta à disposição — retalhos de tecido e técnicas manuais – torna-se um desafio. Sabendo que o lixo é o único recurso em crescimento hoje no planeta, e que sua utilização necessita de tempo e atenção para utilizar o resíduo de forma que a peça que tenha um valor estético e comercial, inverte-se a lógica da produção, buscando antes o refugo, escolhendo o material de acordo com suas cores, texturas e peso. Essas características do material acabam por sugerir o produto: escolhemos o que será produzido a partir dos materiais que recebemos. Nas experimentações também se percebe grande variação no trabalho realizado pelas artesãs, de acordo com a personalidade de cada uma. Todas as intervenções realizadas trazem novas possibilidades dentro dos fazeres manuais tradicionais (bordado, crochet, costura), e, buscando novas soluções desafiamos a lógica da produção para então criar produtos mais originais, pois sabemos que esta é a missão do designer: para modificar os atuais modelos de desenvolvimento econômico, deve atuar propondo mudanças e intervenções tanto no consumo quanto na produção.

Juliana Foz é designer, Bacharel em Design de Moda pelo SENAC – São Paulo/SP. Pós-Graduanda em Direção de Criação para Design e Moda pelo ORBITATO – Instituto de Estudos em Arquitetura, Moda e Design – Pomerode/SC. Contato: juliana_foz@yahoo.com.br / (11) 98778 0101

Piaçava & Bombril

Apresento-lhe a piaçava, espécie de palmeira nativa do norte e nordeste brasileiro  que é usada, entre outras coisas, para fazer vassoura. E o Bombril que, ah, você já conhece. Dois elementos arraigados as mais simples –e nada glamourosas – tarefas cotidianas e que foram poetizadas nas mãos de mestres.

Os primeiros, os Irmãos Campana, designers brasileiros reconhecidos internacionalmente que foram incumbidos de decorar a Bienal nessa edição verão 2014 do São Paulo Fashion Week. Recorreram à brasilidade da piaçava – que, depois do evento, voltarão às fábricas a fim de serem transformadas em vassouras (com a marca SPFW por Irmãos Campana?). Brincadeiras (ou ideias) a parte, tiveram em mente nossas matérias-primas e a utilização sustentável.

 

Já o Bombril, nosso companheiro de pia, surgiu como acessório de cabelo no desfile do estilista Ronaldo Fraga. O tema da coleção, futebol e, como de esporte de elite nos idos anos 30 e 40, ele se popularizou e só assim, atenção, se transformou num esporte que é sinônimo de Brasil. Graças a ginga de muitos negros brasileiros que, até eu que nada entendo de futebol sei, batem um bolão.

Somos um país miscigenado. Minha filha branca como a neve tem o cabelo crespo, crespo. Eu acho lindo, ela, se acha….Meu filho moreno tem cabelo liso de índio. E assim somos nós, feitos de uma mistureba sem fim que faz de nós um povo lindo.

Acompanho a trajetória de Ronaldo Fraga desde o primeiro desfile. Poucos estilistas exaltam nossa cultura como ele. Racismo? Quando a gente enxerga todos iguais, independentemente da cor de pele, há espaço para uma brincadeira com licença poética de colocar modelos com cabelos de Bombril. E a nós, cabe valorizar nossa brasilidade feita sim de cabelos crespos e palmeiras piaçavas ou continuar lutando por uma moda com identidade nacional feita sob “inspiração” das passarelas europeias.

Sustentabilidade é pop!

Nem passarela, nem blogueiras: aqui no Brasil nada é mais poderoso para popularizar um modismo do que uma novela. De inspirações orientais a suburbanas,  alguns figurinos de novela alcançam repercussão tamanha que a moda  passa a ser identificada pelo nome da personagem. Que o diga Jade, personagem de Giovanna Antonelli em “O Clone”,  e até mesmo a icônica viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte em “Roque Santeiro” e símbolo das extravagâncias  que reinaram nos anos 80 (quem escapou dos laçarotes de tule na cabeça à la Porcina nessa época? Eu não! Tenho várias  fotos de criança assim!)
A próxima novela das seis da Rede Globo, “Flor do Caribe”, promete colocar em cena algo que nos é muito familiar e até então pouco valorizado: as peças artesanais, típicas do Norte e Nordeste, e as biojoias — acessórios feitos com matérias-primas naturais como sementes, palhas, coco etc.
Muito além das peças  vendidas em feirinhas hippies, o Brasil é um celeiro de criações artesanais com apelo ecológico produzidas com  qualidade e sofisticação.  Entusiasta da moda feita sob esse viés tive o prazer de conhecer inúmeras marcas que não só passaram a fazer parte do meu guarda-roupa como ganharam um espaço aqui em São Paulo, o Espaço Moda do Futuro, para compartilhar as minhas descobertas com quem ama esse tipo de trabalho como eu e que, normalmente, fica espalhado e escondido pelos quatro cantos do país.
Desejo que a novela venha despertar a curiosidade por roupas e acessórios que têm no seu DNA a cara do nosso país e, hoje, são mais valorizados por estrangeiros do que por nós, brasileiros. E que a partir da personagem de Grazi Massafera, Ester, vejamos o quão linda e sofisticada é essa tal de moda sustentável que, felizmente, está deixando de ser nicho para se tornar pop.

PS. Aqui no blog há vários posts sobre marcas que trabalham o artesanal com sofisticação tanto em roupas como na criação de incríveis biojoias. Navegue e conheça alguns dos tesouros que temos pelo Brasil.

Quando as princesas desceram do salto

Em toda a história a moda foi fator de distinção social. Nobreza e plebeus tinham os seus trajes que colocavam “cada um em seu lugar”. Contam os historiadores que já houve até punição para os plebeus que tentavam se vestir como a nobreza. Soava como “falsidade ideológica”.

Penso que os nobres de séculos atrás nunca imaginaram que um dia a “nobreza” teria prazer em se vestir como o “povo”. Estariam se revirando no túmulo ao saber que a Duquesa de Cambridge, Kate Middleton, em vez de usar uma peça exclusiva assinada por algum top estilista, posou em seu retrato oficial com uma blusa de uma loja popular, a French Connection (inglesa e remetendo à França, oh my god!)?

 

Na posse do presidente americano, a primeira-dama Michelle Obama diferencia o look já usado na missa com um vistoso cinto da loja de departamentos J. Crew. O responsável por quebrar o sobriedade do look é também o responsável por aproximar a primeira-dama do povo.

Moda é comunicação. E se não podem falar com cada “súdito” Michelle e Kate usam suas roupas para passar mensagens. Ao repetir roupas e sapatos se mostram antenadas a um novo tempo em que o consumo exarcebado soa deselegante. Ao usar roupas populares se solidarizam com os menos favorecidos, ao mesmo tempo em que quebram  o paradigma de que é só possível se vestir bem gastando muito.

Sábias essas princesas modernas…

 

Fotos: Reprodução

Bazar & Brechó Colheita Especial

Basta uma olhada num bazar com coleções passadas e brechó para se ter certeza: a moda está tão democrática que dá fazer bonito usando o que foi lançado há tempos… Certas peças são atemporais. E outras, por saírem do lugar comum da moda massificada do momento, são cheias de personalidade e nos emprestam estilo imediatamente.

Outro motivo que me faz fã dos “bazares-brechós” é seu caráter sustentável: aumentar o ciclo de vida das peças e evitar os descartes é imprenscindível para a saúde do nosso palneta.

Com tudo isso em mente as amigas e ex-modelos Marina Sanvicente e Renata Castro lançaram o Colheita Especial, bazar que acontece duas vezes por ano com peças de coleções passadas e brechó garimpado em guarda-roupas estilosos. O evento comemora sua décima edição.

MARCAS PARTICIPANTES: Giuliana Romanno, Isabella Giobbi, Andrea Bogosian, Bruna Ballester, 3 la rue paix, Etoiles, Missinclof, Rosa Preguiçosa, Juliana Jabour, FK Collection, Fock, 011, Trend T, Jackie Shor, Triya, Remalola, Xaa, Khas, Patricia Beck, Daniela Cutait, Passaumpano e Epiphanie

BRECHÓ: Acervos de Ana Lúcia Serra e Daniela Cutait, com peças Missoni, Prada, Gucci, Pucci, Tod’s, Louboutin, Louis Vuitton, Balenciaga, Lanvin entre outras.

LANÇAMENTO: Linha Colheita para Scarf Me
Confira  alguns looks que estarão à venda no brechó. E, se como minha mãe você acha muito estranho vestir algo que já foi de alguém, fica a dica: é só lavar, viu, e sair por aí desfilando um cheirinho de estilo novo…
Onde: Mixtape Design- Rua Gabriel Monteiro da Silva, 1280
De 5 a 8 de dezembro, das 12h as 20h
Parte da renda do evento será revertida para o Instituto da Criança

Por uma moda mais saudável

“Olá Danielle,

Graças à pressão pública que vocês fizeram, a Zara aceitou lavar sua roupa suja. Após oito dias da campanha Detox ter começado, a maior varejista de moda do mundo assumiu o compromisso de eliminar todas as substâncias químicas perigosas de sua cadeia de fornecedores e de produtos até 2020.

Mais de 300 mil pessoas em todo o mundo apoiaram a idéia de que é possível fazer moda sem poluir e pediram que a Zara limpasse sua cadeia de produção. Além disso, seus fornecedores serão mais transparentes, divulgando as informações sobre quais poluentes estão descartando no ambiente.

Essa conquista só foi possível porque pessoas como você acreditaram na campanha, se envolveram com uma questão importante e decidiram agir, pressionando a Zara. Nós agradecemos por sua ajuda, ela foi fundamental para que um passo importante fosse dado em direção a um meio ambiente sem poluição.”

Como todos que se engajaram na petição promovida pelo Greenpeace para que a Zara produzisse sem poluir, recebi hoje pela manhã essa “cartinha” da ONG com os resultados da campanha. Trezentas mil assinaturas e oito dias depois da mobilização pelas redes sociais, a Zara, atualmente a maior rede varejista de vestuário do mundo, se comprometeu a eliminar todas as substâncias tóxicas de sua cadeia de produção. Tarefa nada fácil já que a Zara possui cerca de 1540 lojas em 78 países e, para abastecer tudo isso, terceiriza grande parte da produção para oficinas mundo afora.

A ação do Greenpeace repercutirá além: fará com que a marca, que já foi autuada por trabalho escravo no Brasil, tenha que acompanhar  mais atentamente as terceirizações, ou seja, exigir de seus subcontratados uma conduta mais sustentável em todos os sentidos. E mais: a exemplo da Zara e por pressão do mercado (nossa!),  outras marcas darão início a um processo de mudança no seu ciclo produtivo, investindo em tecnologia para proteger o meio ambiente e respeitando os direitos dos trabalhadores.

Tudo que a gente ama a gente deseja que seja saudável.  A moda, por exemplo… E uma moda saudável é uma moda mais sustentável — que, como pudemos ver, está em nossas mãos!

Cordel da moda sustentável: conscientização em versos

O tradicional evento  literário Fliporto, que acontece entre os dias 15 e 18 de novembro em Olinda, Pernambuco, conta com programação ”ecofashion” nesta edição. O Coletivo Brasil — união de estilistas, designers e profissionais que trabalham com moda sustentável (e que apóio!) –, estará presente no evento paralelo “ECOFliporto”, que trará debates sobre sustentabilidade, oficinas e ações educativas como a distribuição de um cordel, desenvolvido em parceria com o cordelista local Allan Sales, a fim de promover a moda sustentável ao mundo literário de uma maneira encantadora. Confira!

I

Pra satisfazer pessoas
Pensando no bem estar
Preservar nosso planeta
Quando a moda fabricar
O COLETIVO BRASIL
Vem de modo tão gentil
No cordel pra lhes falar

II
Equilíbrio no lugar
Do consumo desvairado
Sem pensar nas conseqüências
Que o exagero tem levado
O cordel começa agora
Lhes mostrando nesta hora
Algo bom pra ser pensado

III
Movimento foi criado
Pra vanguarda em moda ser
O COLETIVO BRASIL
Vem mostrar como fazer
O DNA da moda
Sustentável nessa roda
Para o mundo todo ver

IV
Sustentável pra render
Só o compromisso custa
É questão de consciência
Quem pratica não se assusta
Uma moda nesta via
A cuidar da ecologia
E socialmente justa

 V
Uma moda bem robusta
Que respeita ecologia
Bolsas,joias e sapatos
Diferentes quem diria
Uma moda criativa
Sustentável proativa
Coletivo vem e cria

VI
E sem farra de energia
Gera emprego pra que faz
Fica aqui na nossa terra
Nossos cobres os metais
São colares com sementes
E com conchas os pingentes
Lindos e artesanais

VII
Usam fibras vegetais
Biojoias reluzentes
Até lixo reciclado
Vira coisas bem decentes
Veja aqui que coisas belas
Com as mãos criando
Dão emprego a muitas gentes

VIII
São tão belos imponentes
Tudo aqui tão bem criado
Vem pra ver ECOFILPORTO
Onde o novo é festejado
Tem designer e estilista
Tem modelo e jornalista
Coletivo aqui chegado

IX
Grupo tão compromissado
E tornar bem popular
O conceito de ver moda
De fazer também usar
Tem quem faz fotografia
Também ONG’s nesta via
Na FLIPORTO vem chegar

X
E agora vou falar
Sustentável o predicado
Que reúne em harmonia
Algo bem equilibrado
Seu fazer assim abarca
Identidade da marca
Para ser valorizado

XI
Institucional e estado
Vendo coisa de primeira
Plano institucional
Nossa pauta verdadeira
Ao buscar não se acomoda
Coletivo mostra moda
Sustentável brasileira

XII
No Brasil que tem rendeira
Onde o belo é tradição
Essa moda sustentável
Vem cumprir bela missão
O que é socioambiental
Aprendido como tal
Vem servindo de lição

XIII
Intercâmbio de artesão
E de todos ativistas
Do Brasil e exterior
Os talentos dos artistas
Acumulam experiência
E transmitem consciência
Pois são ambientalistas

XIV
Ao agir em tantas pistas
Para desmistificar
O que é banalidade
No comércio vem tratar
E assim romper barreiras
As estéticas viseiras
Quando o novo vem mostrar

XV
Em conjunto a trabalhar
Ao unir tantas visões
A sustentabilidade
Suas interpretações
Para ver descomplicada
E desburocratizada
Essas são boas ações

XVI
E ver realizações
De uma forma independente
Trabalhar por bem comum
Voluntários nesta frente
Decisões que em conjunto
Onde todos chegam junto
De uma forma coerente

XVII
E de forma includente
Divulgar e promover
Popularizar tal moda
É do grupo seu querer
E assim ver no final
Consciência social
Despertada pra valer

XVIII
E assim desenvolver
Com trabalhos coletivos
Onde todos colaboram
E não tem fins lucrativos
Coletivo que sustenta
Sua moda apresenta
Seus fazeres criativos

XIX
Cada marca com seus crivos
Seu produto apresentar
Fortalece o movimento
O que ele tem pra dar
Nossa moda sustentável
Para mundo é louvável
Para ser bem popular

XX
E assim a divulgar
Com vigor estudantil
Uma moda que renova
De um conceito tão viril
Tudo bom aqui denoda
Sustentável nossa moda
Do COLETIVO BRASIL

Sustentabilidade como pilar da consultoria de moda

Esta semana o portal Terra publicou uma matéria contando sobre o diferencial de nosso trabalho, que alia uma visão sustentável a consultoria de moda. Espia!

 ”Chique é ser consciente”, diz a consultora Danielle Ferraz

Ela cresceu entre araras e desfiles, acompanhando o vaivém das clientes da Mariana Ferraz, uma das butiques mais tradicionais do bairro paulista do Campo Belo. Em 2000, decidiu abrir mão de brilhar nas páginas das revistas de moda – foi jornalista da Manequim, da Editora Abril – para abrir sua própria consultoria.

Em 2004, apaixonou-se pelo tema sustentabilidade e hoje, aos 38 anos, Danielle Ferraz ministra palestras pelo Brasil sobre o assunto, além de promover exposições que valorizam o artesanato do país e integrar a equipe de estilo do programa ‘Mais Você’ (Rede Globo), de Ana Maria Braga. Em entrevista ao Terra, ela dá mais detalhes sobre seu trabalho:

Terra – Como você começou a se interessar por sustentabilidade?

Danielle Ferraz – Na verdade, sempre enxerguei a moda em um contexto maior. Sempre procurei entendê-la como algo sintonizado às necessidades de seu tempo. A partir dos anos 2000, todo mundo passou a se preocupar mais com o futuro do planeta, e com o mundo da moda não foi diferente.

Investi em estudos, corri atrás de informações, e desenvolvi o projeto “Chique é ser consciente” em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo. Esse projeto foi considerado um dos 10 melhores do Brasil, sobre sustentabilidade, em 2004. Seu objetivo era mostrar que toda a cadeia produtiva é responsável por tornar cada processo mais sustentável, sem desperdícios.

Terra – A quem se destina a suas palestras?

Danielle Ferraz – Faço dois tipos de apresentação. A primeira é voltada para estudantes de moda, confeccionistas e estilistas e o conteúdo tem muito a ver com o projeto da FGV. Explico como tornar mais sustentável cada etapa da cadeia produtiva, com dicas para evitar desperdícios, reaproveitar retalhos ou outras matérias-primas, usos diferentes e criativos para resíduos etc.

A segunda palestra visa o consumidor final. Oriento sobre como otimizar o guarda- roupa e adaptar as peças que já se tem e criar looks com informação de moda.

Terra – Você trabalha também como consultora de imagem. Como aplica esses conceitos nessa atividade?

Danielle Ferraz – O primeiro passo é conhecer a fundo o closet da cliente. Ela pode ter peças ótimas ali sem saber como combiná-las entre si ou como valorizá-las. Como todo trabalho de consultoria de estilo, é claro que há o momento de ir às compras, mas procuro orientar cada cliente a levar para casa somente o necessário e aquilo que tiver o melhor custo-benefício.

Nessas horas, é claro que levo em consideração a história da peça, o tecido, como foi produzida etc., mas sem impor nada, apenas orientando para que a pessoa faça uma compra inteligente, e aprenda a questionar.

Terra – Como funciona o espaço Moda do Futuro, em parceria com a butique de sua mãe?

Danielle Ferraz – Ele tem o mesmo nome do meu blog e foi criado em 2010. É um espaço sustentável exclusivo, dentro da loja, somente com peças de design diferente, tecidos ecologicamente corretos e artesanais que garimpo em todo o Brasil. Foi a maneira que encontrei de divulgar esses estilistas e marcas. Duas vezes por ano, realizo mostras ali.

 

 

 

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