A ponte

Cresci em meio ao comércio de moda; negócio de minha família. Não há como negar a influência — desde a adolescência dizia que queria ser jornalista de moda, profissão na época meio incomum. Mas em vez de vendas eram mais ideias e conceitos que me interessavam, assim como a paixão pela escrita e pela imagem. 

Adentrando pelo universo da sustentabilidade, em meados de 2003, me encantei com o trabalho de estilistas e designers cuja produção era toda pensada em cima de questões socioeconômicas e ambientais. Gente brilhante que criara arte com o que outrora era lixo — coisas bacanas mesmo, já que não é apenas por ser sustentável que podemos avalizar que é belo. E eles conseguiam aliar o belo com o sustentável.

Maria Lixo: beleza a partir de sacos plásticos descartados

Desde então, trabalhando nessa área, comecei a perceber a dificuldade de se entender o conceito de moda sustentável. De torná-lo palpável, acessível. Quase sempre usava de cases para ilustrar o que falava e aí começava a sacar meus objetos de uso próprio para demonstrar. “Viu essa bolsa?” — e contava toda a história da peça.

E aí,invariavelmente, surgia a pergunta: “como faço para ter uma?”. Hum,hum, não era tarefa tão fácil. A maioria dos achados não se obtinham na esquina; se espalhavam por vários lugares do país e mesmo quando se concentrava nas metrópoles o acesso era com horário marcado — dificuldades que, sejamos sinceros, fazia com que simpatizantes acabassem optando pelos produtos “made in China” aos sustentáveis locais.    

Nada se perde, tudo de transforma: pequenas sobras de galhos recolhidos viram jóias. By Eduardo Miguel

Em meio a debates internos e externos sobre a acessibilidade, pensei, porque não, além de difundir a moda do futuro no mundo virtual fazer o mesmo no real? Ser uma ponte – que leva a descobertas; que desvenda o acesso; que une o que está longe mas dentro do mesmo conceito?

E,assim, estou gerando o espaço-conceito MODA DO FUTURO. Quero muito ser essa ponte; divulgar e disponibilizar  tudo o que eu mais gosto de moda sustentável — ainda que isso me custe voltar atrás ao juramento que fiz com minha família que nunca teria uma loja (não por nada, mas dizia que não era minha praia). Esta é!

Uma resposta a A ponte

  • sueliorlando disse:

    Quantas vezes precisamos fazer do não um sim,especialmente quando a causa é nobre e pode trazer benefícios a muitos e ao mundo que nos cerca.Acho excelente a sua idéia de criar este espaco e poder levar os valores que vc desenvolve e cultiva com tanta paixao aquem sabe pouco sobre sustetabilidade.Sucesso!

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