A conta não fecha
Em conversa recente com a jornalista Alice Lobo, quando fomos entrevistadas para o programa do SWU, comentamos a frase que dá título a este post quando questionadas sobre fast fashion: “a conta não fecha!” Contabilizando os itens necessários para se fazer uma camiseta, por exemplo, debatemos a questão do custo das mesmas ser mais caro do que os preços praticados por alguns dos grandes magazines. E, se a conta não fecha, alguém está pagando — bem caro — por ela.
Pode ser um trabalhador do campo, contaminado por excesso de pesticidas. Ou um imigrante latino acuado numa oficina de costura (?) na qual trabalha em condições desumanas.

Trabalhadores encontrados em situação de escravidão em oficina terceirizada pela marca espanhola Zara. Foto: Fernanda Foroni para ONG Repórter Brasil
A regra do fast fashion é clara: oferecer o máximo de produtos possíveis ao valor mínimo possível. E tudo isso com o máximo de lucro. Alguém, claro, tem que pagar essa conta que não bate…
Ontem foi a vez da marca espanhola Zara ser autuada por trabalho escravo. Me pergunto quanto tempo vai demorar para esse crime cair no esquecimento e as longas filas formaram-se nos caixas das lojas nos finais de semana… Enquanto buscarmos o melhor custo-benefício apenas para o nosso bolso — e, na hora das compras, não pensarmos no próximo, no planeta, estaremos na direção contrária de um mundo mais sustentável. Tal qual aqueles que compram produtos piratas cientes da indústria criminosa que há por detrás; se sabemos que uma marca prática tais atos desumanos e continuamos a consumir suas roupas somos, no mínimo, cúmplices.
Para ver a reportagem completa sobre a ligação da Zara com trabalho escravo acesse o site da ONG Repórter Brasil: http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1925

