Arquivo do mês: agosto 2011

Dicas de boas compras em polos de moda popular para o Jornal Hoje

Sábado passado estive a convite do Jornal Hoje, da Globo, no Bom Retiro gravando uma matéria com dicas para fazer boas compras (e fugir de ciladas!) em polos de comércio popular. Não vou antecipar tudo para que assistam: vai ao ar neste sábado, 3 de setembro! 

– Preço é tudo? — me pergunta logo no começo da entrevista a repórter. Minha resposta, que compartilho com vocês, é que não, não vale sempre procurar pelo menor preço. Sabe porque? Uma peça de qualidade, que pôde ser usada anos a fio, na ponta do lápis saiu mais barata do que outra que compramos por uma pechincha mas na segunda lavada ficou “estrupiada”. O valor da peça diluído pelo número de vezes em que foi usada é que vai determinar se ela foi cara ou barata. Uma peça “baratinha”, comprada por impulso movido pelo seu valor convidativo que nunca saiu do guarda-roupa, se tornou mais cara do que aquela peça de qualidade, que foi sim um investimento maior mas que a acompanha impecavelmente há um tempão.

Resumo da ópera: mesmo em polos de comércio popular busque por peças que tenham mais qualidade. Não, não é tudo igual. Sinta o toque de tecido; olhe atentatamente as costuras, que devem estar alinhadas. A maioria das lojas não possui provador, por isso vá com uma roupa ajustada que possibilite “provar por cima”: comprove se a modelagem está bem feita; se o modelo a valoriza. Lembre-se sempre que o que fica parado no guarda-roupa sai “carinho, carinho…”  

P.S Reportagens já mostraram que boa parte dos resíduos de tecidos da região do Bom Retiro acabam parando no lixo. Não seria hora desse polo comercial se organizar e reverter os retalhos para doação? É lamentável ver cenas como essa a céu aberto… realmante inaceitável,não? 

 

Encontros marcados

… Com você!  A partir de setembro teremos várias oportunidades de conversar pessoalmente: estarei em eventos superbacanas, abertos ao público e gratuitos que antecipo aqui para você se programar. Vamos lá:

Dia 12/9: Fashion´s  Night Out

O evento criado pela Vogue e que tem várias edições mundo afora, será realizado dia 12/9 e, aqui no Brasil, acontecerá em lugares selecionados como Rua Oscar Freire; Shopping Iguatemi e Shopping Higienópolis, com muita badalação, atrações especiais e lojas abertas até meia-noite. E, com muito prazer, estarei nessa data na MOB do Shopping Higienópolis dando consultoria de moda para todo mundo que passar por lá. 

Aliás, nos meses de setembro e outubro estarei dando consultoria de moda em várias lojas da grife MOB: fique de olho que em breve posto o calendário! 

Dia 17/9: Ecochic Day

Na terceira edição do evento que reúne, moda, cultura e sustentabilidade,  participarei de uma mesa redonda, juntamente com outros profissionais da área. Boa hora para a gente analisar como, longe de ser um paradoxo,  moda e sustentabilidade podem ser aliados. O evento,organizado pela jornalista Mônica Horta e com apoio da Prefeitura de São Paulo, será realizado no Conjunto Nacional. Em breve, posto convite com todos os detalhes, mas já reserve a data  para estar com a gente!

Dia 20/10: Senac

O  evento Sustentabilidade em Ação, com diversos workshops, palestras e oficinas , será promovido pela unidade Senac Jabaquara (SP). Nessa data ministrarei  dois workshops: “Criando luxo do lixo”, no qual darei uma palestra sobre o uso de descartes e soluções criativas na moda e haverá oficina de tiaras sustentáveis com Juliana Suarez, da marca Maria Lixo.  “Valorizar-se e otimizar as peças: a chave de um guarda-roupa consciente” é o tema do segundo workshop, no qual, de maneira prática e interativa, darei consultoria de moda voltada a um melhor aproveitamento do guarda-roupa — com muito estilo! Ambos serão gratuitos mediante a inscrição (que em breve postarei os detalhes por aqui). Imperdível, não?

Vamos marcar esses encontros? Conto com sua presença! 

A conta não fecha

Em conversa recente com a jornalista Alice Lobo, quando fomos entrevistadas para o programa do SWU, comentamos a frase que dá título a este post quando questionadas sobre fast fashion: “a conta não fecha!” Contabilizando os itens necessários para se fazer uma camiseta, por exemplo, debatemos a questão do custo das mesmas ser mais caro do que os preços praticados por alguns dos grandes magazines. E, se a conta não fecha, alguém está pagando — bem caro — por ela.

Pode ser um trabalhador do campo, contaminado por excesso de pesticidas. Ou um imigrante  latino acuado numa oficina de costura (?) na qual trabalha em condições desumanas.

A regra do fast fashion é clara: oferecer o máximo de produtos possíveis ao valor mínimo possível. E tudo isso com o máximo de lucro. Alguém, claro, tem que pagar essa conta que não bate…

Ontem foi a vez da marca espanhola Zara ser autuada por trabalho escravo. Me pergunto quanto tempo vai demorar para esse crime cair no esquecimento e as longas filas formaram-se nos caixas das lojas nos finais de semana… Enquanto buscarmos o melhor custo-benefício apenas para o nosso bolso — e, na hora das compras, não pensarmos no próximo, no planeta, estaremos na direção contrária de um mundo mais sustentável. Tal qual aqueles que compram produtos piratas cientes da indústria criminosa que há por detrás; se sabemos que uma marca prática tais atos desumanos e continuamos a consumir suas roupas somos, no mínimo, cúmplices.

Para ver a reportagem completa sobre a ligação da Zara com trabalho escravo acesse o site da ONG Repórter Brasil: http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1925

 

Sábado é Ecochic Day!

Estou realmente muito empolgada de acompanhar o nascimento de várias iniciativas aliando moda e sustentabilidade em todo o país. Com um diferencial: iniciativas sérias de profissionais qualificados desenvolvendo trabalhos sedimentados e com qualidade. Uma delas é o Ecochic Day,  movimento criado pela jornalista Mônica Horta e cuja 2a. edição acontecerá neste próximo sábado,dia 20/8, em São Paulo. Vejam todos os detalhes abaixo: vale a pena conferir!

PS. Na 3a. edição, dia 17/9,  já confirmei minha presença para participar de uma mesa redonda. Programem-se!

  

O Movimento Ecochic Day chega à sua 2ª edição nesse sábado, dia 20, à partir das 14h30, no Conjunto Nacional.
Dessa vez, no concurso “Do it yourself”, designers customizarão garrafas de vidro ao vivo. A primeira edição, em caráter de lançamento, foi feita entre designers convidados, com participações especiais como a de Bruno Honda Leite (artista plástico e designer na Mauricio de Sousa Produções). Já a segunda edição será feita entre os inscritos que enviarem seus trabalhos por email, e após uma comissão, serão escolhidos para participar do concurso e ganhar prêmios do Coletivo Verde e da Joy. Os participantes terão seus trabalhos expostos no blog do Ecochic Day e ficarão em votação aberta até a próxima edição do evento, dia 17 de Setembro. A obra mais votada, ganhará uma peça exclusiva da marca de chapéus E-Holic. Quem quiser participar basta só enviar nome, data de nascimento, telefone e endereço, profissão (se estudante, indicar a Instituição de ensino), algum trabalho artístico que já tenha feito (pode ser em anexo, ou estar hospedado em alguma página pública. Sugestões: Flickr, twitpic, blog, tumblr) e uma foto para ser postada no blog, para o e-mail contato@monicahorta.com. As inscrições podem ser feitas até 18/08.

Nessa edição, o Movimento apresenta a exposição “Arte Correspondência”, (uma releitura do charmoso costume da troca de cartas e cartões postais). Inspirado pelo movimento artístico iniciado nos anos 60, “Arte Postal” (uma grande e internacional rede de compartilhamento da arte através dos correios), o artista/designer Emerson Brito e seus 40 convidados expõem suas obras, que foram criadas por Emerson, depois enviadas via correio aos participantes, que interferiram nos desenhos, e reenviaram, também via correio, de volta ao Emerson, que concluiu as obras que farão parte dessa mostra. Depois, após sorteio, as correspondências serão reenvidas a cada um, numa espécie de brincadeira entre pessoas de vários lugares do Brasil e exterior.

Além disso, acontecerá o flash mob da campanha “O que você está fazendo para ser mais feliz hoje?”. O público presente no Movimento Ecochic Day responde a essa pergunta e ganha uma garrafa customizada com o tema da Campanha. As fotos e as frases serão postadas em tempo real por facebook e twitter.

O Movimento Ecochic Day é uma prática da economia criativa, que fomenta a cultura sustentável. Acontecerá uma vez por mês, com ações variadas a cada edição. Além de evento mensal, o Movimento Ecochic Day acontece virtualmente, também através do blog www.ecochicday.wordpress.com.

 Esse é um projeto Mônica Horta – Idéias e soluções sustentáveis, e é apoiado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Conjunto Nacional, Joy, Coletivo Verde, Livraria Cultura, Mundo Verde e 100’t.

Serviço:
Movimento Ecochic Day
20 de Agosto – 16h
Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073)
   Concurso “Do it Yourself”
   Inscrições por e-mail: contato@monicahorta.com até 19/08
       Exposição Arte Correspondência
       De 20 a 30 de Agosto
       Espaço Livraria Cultura Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073)

www.facebook.com/MovimentoEcochicDay
www.twitter.com/ecochicday_

Vídeo de divulgação: http://www.youtube.com/watch?v=1CUvUkE_WZY

Paraty Ecofashion: um novo (e bem-vindo) olhar sobre a moda

Nossa querida estilista e parceira, Juliana Foz, da marca Lírio Lê, esteve imersa e encantada nos três dias do primeiro grande evento nacional que une moda e sustentabilidade, o Paraty Ecofashion. Aliando estilistas, estudantes e comunidade; desfiles; workshops e oficinas, o Paraty EcoFashion lança um novo olhar sobre a moda e prova que, sim, o futuro da moda é consciente e inclusivo. Acompanhem o relato de Juliana Foz.

“Acabo de chegar do 1º Paraty Eco Fashion, cheia de informações, experiências e inúmeras idéias fervilhando na cabeça. E gostaria de compartilhar com vocês meu olhar sobre tudo o que aconteceu neste evento com foco no desenvolvimento sustentável, emoldurado pela encantadora paisagem da cidade. Nestes três dias aconteceram desfiles de moda, exposições, workshops, conferências, onde se viam estilistas, designers, artesãos, jornalistas, especialistas em sustentabilidade e estudantes de moda trocando conhecimento e experiências.

Roberto Meireles do Instituto Rio Moda (http://www.institutoriomoda.com.br/) deu início ao evento na tarde de sexta-feira com uma palestra baseada no livro “Doze dragões em luta com as iniciativas sociais”, de Lex Bos. A palestra explanou sobre como tirar partido dos problemas, para que as boas iniciativas não sumam mais rápido do que aparecem. Onde os “dragões” do Dirigismo, Absolutismo, Pressa, Conformismo, etc devem se tornar inspirações para que o projeto se concretize, mantendo sempre o equilíbrio e a força de vontade.

Durante a abertura oficial do evento na Pousada Caminho do Ouro, um coquetel todo feito a partir da gastronomia sustentável foi servido aos convidados. As idealizadoras do evento Bernadete Passos e Carminha Santos contaram: “O Paraty Eco Fashion vem tomando forma há quase dois anos. Primeiro foram  longas conversas sobre o sonho de realizar um evento sobre moda; depois, o diferencial da sustentabilidade pela via da educação; na sequência, o arregaçar as mangas: pesquisa para valer e muito trabalho, com a constatação de que estava na hora de fazer o sonho acontecer.”

Assim, em março de 2011 alunos de moda de todo país se inscreveram para participar do projeto. Um ponto imprescindível foi a inclusão das comunidades tradicionais, onde cada equipe escolheu o seu foco de estudo trabalhando e promovendo interação com comunidades, troca de conhecimentos voltada para o artesanato de cada região e pesquisas de materiais sustentáveis viáveis para produção de moda. Além de artesãos de todo país, comunidades de Paraty estiveram envolvidas no projeto: a comunidade caiçara, com seus bordados; a comunidade indígena guarani, com seus trançados; e a quilombola, com seu colorido e suas cestarias.

Participam do evento 18 equipes de cinco Estados brasileiros, todas de excelente qualidade e afinadas em suas propostas de uma produção inovadora. São elas: Alecrim; Ana Carolina da Mata Araújo; Anjo da Moda; Grife Criolê; Oficina Callicore; UFRJmar Paraty; Impacto!; Libertas; Lírio Lê; Michelle Ramos Victório; Nêga; Produtos em Rede;Ecomoda Udesc;Equipe Reciclada; Rumaos Atelier; Trama Feminina; Tramas Sustentáveis e Mulheres de Fibra.

Durante a noite tivemos a abertura da Exposição “Novo Olhar”, com os trabalhos desenvolvidos pelas equipes propondo uma moda eco friendly e sustentável, provando o quanto essa chamada economia criativa é capaz de produzir com capricho, beleza e qualidade.

Os participantes do evento foram presenteados com a linda apresentação do Coral Indígena Paraty – Mirim Itaxi, na qual os pequeninos índios fizerem uma oração em forma de cântico, emocionando a todos. 

Zuzu Angel, uma das grandes homenageadas do evento foi lembrada na noite por Celina de Farias (vice-presidente do Instituto Zuzu Angel (http://www.zuzuangel.com.br/) e apresentou o filme “Zuzu Angel - Eu sou a moda brasileira”. Quem também subiu ao palco foi Nina Braga, do Instituto-e (http://www.institutoe.org.br/), com seu documentário “Bocaína: Caminhos do Alto”. Programação vibrante e intensa, encerrada com o show do cantor Luis Perequê.

Uma das principais propostas do Paraty Eco Fashion foi a integração entre estudantes de design e comunidades tradicionais. O trabalho originado por este intercâmbio foi apresentado no sábado de manhã na passarela do evento, que também questionou a ditadura de beleza da moda atual: todos os modelos eram jovens de Paraty que desfilaram de forma voluntária. Corpos normais vestindo uma proposta que tende a se tornar cada vez mais “normal” também…

A primeira equipe a se apresentar, a Lírio Lê, levou a preocupação com os resíduos têxteis. Parte do meu trabalho de conclusão de curso, o projeto desenvolveu roupas a partir de retalhos e acessórios em parceria com a artesã Josefa Donadon da Reforma Agrária do assentamento Reunidas, localizado em Promissão, interior de São Paulo. Essa coleção, apresentada no evento,  foi desenvolvida e comercializada a convite do Espaço Moda do Futuro.

O estudante Valdecir Santos, único integrante da equipe Anjo da Moda, mostrou o uso de resíduos de jeans para a produção de bolsas. A Criolê faz parte de um ponto de cultura em Hortolândia, São Paulo, que resgata e preserva as raízes da comunidade negra. O trabalho, inspirado no candomblé com técnicas de tie-die e amarrações, foi desenvolvido em parceria com comunidades de rendeiras de Fortaleza e produtores de algodão orgânico de Minas Gerais.

A Tamanduá sem bandeira trabalhou com faixas e banners de rua usados para anúncios. A proposta era utilizar os resíduos ao máximo, e com isso (acreditem!), a equipe gastou apenas dez reais para produzir vestidos, camisetas e calças.

Eco-moda é uma equipe que trabalha há sete anos com moda sustentável no curso de extensão da UDESC/UFSC. Ela interagiu com a Associação de Rendeiras de Bilro de Florianópolis para utilizar a técnica da renda com fios orgânicos e reciclados. A Universidade oferece à  comunidade capacitações para desenvolver o bordado, a modelagem e a costura. Já a Alecrim mostrou como criar uma roupa a partir de tapetes de banheiro descartados e camisetas de malha de garrafa pet. Para completar o look, a estudante de moda Amanda Mol criou lindos acessórios feitos de rolhas, filmes fotográficos e folhas desidratadas.

As integrantes da Libertas interagiram com as artesãs da Praia do Sono, em Trindade, Rio de Janeiro. Elas buscaram empresas que tivessem uma cadeia produtiva não agressiva ao meio ambiente e utilizaram retalhos e técnicas ambientalmente corretas de estamparia.

A proposta da Nêga foi conhecer a cultura caiçara de Paraty através de visitas à regiões como Pouso da Cajaíba, Ponta Negra e Ilha do Araújo. Elas buscaram resgatar a cultura com o uso de materiais como couro de peixe, palha, tecidos orgânicos e de fonte reciclada. E, para finalizar, esse “brainstorm ecofashion”, as estudantes da Fazendo Arte no Cerrado utilizaram o reaproveitamento de materiais para criarem novos e coloridos vestidos.

Workshops, oficinas e desfiles de “mestres” da moda sustentável no segundo dia

Durante o sábado a tarde ocorreram simultaneamente: Workshop de Moda Customizada, por Caio Von Vogt (http://www.caiovonvogt.com/); Workshop de Moulage Criativa, por Lena Santana (http://www.lenasantana.com/) e exibição do filme Zuzu Angel, de Sérgio Rezende. Optei por escutar um pouco mais sobre a técnica da Moulage com a estilista Lena Santana. Em seu workshop a estilista fez a defesa da roupa atemporal, feita com qualidade, que dura muitas estações, e vai contra a lógica do fast fashion que vem consumindo o mundo. Isso é sustentabilidade! Lena, além da bandeira da consciência ecológica, também mostrou a técnica de moulage, que consiste em construir a roupa no próprio manequim, o que só traz vantagens: A técnica é mais prática que a modelagem plana, e é possível visualizar o caimento da peça no momento que a construimos. Ao final do workshop, cada participante ganhou o livro “Um pedaço de tecido”, em que Lena propõe maneiras práticas de criar e modelar as próprias peças de roupa.

Outro ponto alto no sábado foi a Conferência Moda Eco e Sustentabilidade, com a participação de Nina Braga (Instituto-e); Luiza Marcier (estilista e consultora do Projeto Museu da Moda pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro) ; e a professora Lilyan Berlim (faculdades Veiga de Almeida e La Salle) , com mediação de Celina de Farias (vice- presidente do Instituto Zuzu Angel). O principal tema discutido foi a questão da estética do artesanato aliada à moda e a ética na moda. O encontro gerou um debate produtivo a respeito da moda brasileira e também sobre políticas públicas que facilitem e promovam a sustentabilidade.

Durante a noite foram apresentados os desfiles de Caio Von Vogt, criador do primeiro tecido 100% ecológico e orgânico do mundo; e Lena Santana, estilista brasileira que vive em Londres, reconhecida mundialmente por utilizar o reaproveitamento de tecidos. Além dos desfiles, houve apresentações musicais, de dança e uma linda homenagem aos Mestres Cirandeiros de Paraty, que receberam um certificado de reconhecimento da Secretaria de Cultura. As atividades do dia acabaram com a banda Ciranda Elétrica tocando em comemoração ao Dia do Caiçara, onde a população da cidade e os turistas entraram na dança e nos costumes locais.

Palestra de figurinista mostra reutilização dentro da Globo

O último dia do evento começou com a palestra da figurinista Emilia Duncan, que falou a respeito da reciclagem e da responsabilidade social dentro da construção de figurino. Emilia contou que começou a perceber o valor da moda ecológica quando não havia a verba necessária para a criação de seus figurinos. Foi assim com o filme Carlota Joaquina, quando precisou se virar com o que tinha em mãos, deixando que a criatividade a guiasse. Recriou jóias de ouro com papel de jornal, fez colares com bolinhas de gude, etc… E depois da experiência com o filme nunca mais parou de reciclar… Nas minisséries A Muralha, Mad Maria e Amazônia; e na novela Caminho das Índias a figurinista fez o mesmo. Tapete de banheiro virou jaqueta; calota de automóvel, acessório de cabeça e as estampas eram feitas com carimbo de batata.  Emilia Duncan encerrou dizendo: “Quanto mais temos acesso a abundância material e seus excessos, mais a vida em si se torna pobre. Perdemos a oportunidade de nos relacionarmos com o sagrado que nos cerca.”

Depois da palestra, o Paraty Eco Fashion seguiu com um debate onde foi possível refletir o por quê de estarmos ali e o que poderá ser feito daqui para a frente. O principal objetivo do evento foi o de provocar debates, gerar a troca de idéias e experiências, além de refletir sobre o papel do profissional da moda e do consumidor nesta nova era consciente. Em seus três dias de realização, comprovou, na prática, com belas peças de vestuário e acessórios, que, sim, é possível! Que essa seja a primeira de muitas edições do Paraty Eco Fashion, pois ainda há muito que se fazer pela moda consciente e sustentável, a Moda do Futuro!

Deixo aqui meus parabéns ao Instituto Colibri, que criou e coordenou todo projeto com muito sucesso! Conforme anunciou com entusiasmo Carminha Santos, “está plantada a semente”. Que o evento floresça e contribua efetivamente para um novo olhar sobre o mundo da moda..

O (polêmico) retrato de Renata Ceribelli

Assisti há pouco a nova versão do clássico de Oscar Wilde, “O retrato de Dorian Gray”. A estória (que não vou contar por aqui pois recomendo que  leiam ou assistam!) foi escrita em 1890 e, creio eu, nunca esteve tão atual. Será que nossa geração, no mesmo anseio da eterna beleza e juventude do protagonista Dorian, não está, como ele,  ”perdendo a alma”?

Acompanhei a polêmica da capa da edição de agosto da Revista Claudia, com o retrato da jornalista Renata Ceribelli (que está  linda, por sinal). A revista foi acusada de abusar do Photoshop, já que, como todo o Brasil acompanhou no quadro do Fantástico, a jornalista suou a camisa e emagreceu — mas, pelo que parece, não chegou às medidas de modelo exibidas na capa. Com toda repercussão o diretor de arte da revista a defendeu, dizendo que recursos antigos de contraluz, aliados a escolha da roupa e posição, colaboraram para que Renata ficasse ainda mais magra. 

Será que, como Dorian, não buscamos uma perfeição inexistente, que faz com que vivamos permanentemente insatisfeitos? E que, ao enfatizar essa perfeição, a mídia não ajuda a alimentar a ansiedade da grande maioria das mulheres que nunca caberá nesse padrão? 

Cirurgias para redução de estômago, ao meu ver, foram banalisadas — mesmo deixando sérias sequelas como cheguei a acompanhar de pessoas próximas. E não foi apenas uma vez que ouvi  pessoas declarando que estavam “tentando engordar para chegar ao peso mínimo para passarem pela cirurgia (?).” Bocas à la Angelina Jolie estão por toda parte.

Sou amante do belo. Mas resisto a achar que a beleza está numa “perfeição” obtida a qualquer custo; artificial — e, principalmente, quando a ânsia de obtê-la ou de permanecer eternamente jovem torna-se a maior de todas as (pre)ocupações. Nesse caminho, sobra a metáfora de Dorian Gray: como já repetia minha avó, “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.

Presente da MOB

Fui surpreendida por um cliente querido — a grife MOB, parceira na área de consultoria de moda já há alguns bons anos.  Na última edição da revista MOB Mag, récem-lançada com a coleção primavera-verão (e lindíssima por sinal!), ganhei uma página falando dos trabalhos que desenvolvo para a marca: workshops de informação de moda para as equipes de vendas e consultoria de moda para as clientes nos coquetéis de lançamentos.

Acredito que informação é a melhor ferramenta para auxiliar um cliente a fazer compras bem-feitas — daquelas que serão curtidas, usadas, elogiadas.  Por isso para mim é um prazer enorme desenvolver esse trabalho, no qual ajudo a quebrar paradigmas de moda (que, sim, carregamos tantos desde o berço!); valorizar cada biótipo e otimizar o guarda-roupa . O mesmo tripé que nos faz ganhar estilo promove também um consumo mais consciente.

Abaixo, a capa da MOB Mag. Confiram! 

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