Trocar está na moda
Por Danielle Ferraz
Quando era criança ansiava por encontrar minha prima, Marissol, que morava em outra cidade, não só pela certeza de iríamos nos divertir muito mas também por saber que voltaria para São Paulo com guarda-roupa novo. O combinado era o seguinte: quando tínhamos a oportunidade de estar juntas trocávamos grande parte de nossas roupas. A brincadeira de infância, creio eu, já era um sinal de nossa paixão por moda: me tornei jornalista e consultora de moda; Marissol, estilista.
Mais de 25 anos depois nossa brincadeira se repete entre gente grande pelos quatro cantos do mundo. Bazares de troca entre amigas — e até desconhecidas–, pipocam entre pessoas que querem adotar hábitos de consumo mais saudáveis, dentre eles, trocar o que está parado no guarda-roupa por peças com o mesmo destino no closet de outras pessoas.
Longe de serem considerados brechós, as clothes swaps, como ficaram conhecidos os bazares nos Estados Unidos e Europa, são uma boa alternativa para trocar e adquirir peças mais sofisticadas, como vestidos de festa e bolsas de grife — peças que, em geral, não são doadas para instituições de caridade. Aqui no Brasil, o movimento dá os seus primeiros passos.
Os eventos “Closet da Mel” (http://closetdamel.spaceblog.com.br) e “Free your closet”, promovidos pela empresária Cathy Henry, são ótimos exemplos dos novos bazares que se configuram como espaços de compra e troca de roupas e acessórios usados mas em perfeitas condições de continuarem na ativa. O próximo está programado para agosto e você também pode participar: veja como no www.freeyourcloset.wordpress.com/
Já para quem deseja montar um bazar com as amigas, o quadro E-Bazar, que criei para a webtv Moda que Muda (www.modaquemuda.com.br), dá o exemplo de uma dinâmica simples para que organizá-lo.
E, quem deseja ir além das trocas de roupas, precisa se filiar a The Freecycle Network™ (http://www.freecycle.org/), uma organização não-governamental fundada por Deron Beal em 2003, e que hoje se encontra em 85 países ao redor do planeta. Seu negócio: promover a troca de coisas – seja uma cadeira, um piano, uma porta ou uma roupa usada – entre pessoas. Existem milhares de grupos em cada um desses países, inclusive no Brasil, que conta com 25 representantes.
O interessante desse movimento mundial são as trocas não apenas das roupas e objetos em si, mas também de contatos e experiências. Afinal, as pessoas que participam desses bazares são aquelas que de certa forma se preocupam com o destino final dos seus pertences e com o meio ambiente. E esperam que suas peças inutilizadas tenham a chance de desfilar por aí em vez de ficarem anos e anos se decompondo num aterro…
Reportagem de Nana Soma (http://theconsciousclothing.wordpress.com/
Você sabe o que é “vestir consciente”?
“Sustentabilidade sem o belo é triste, assim como o belo sem sustentabilidade é ignorante” Fletcher
Em 2004, quando a palavra sustentabilidade ainda era restrita há poucos nichos e não fazia parte do vocabulário da moda, conheci Ana Cândida Zanesco, fundadora do Instituto Ecotece. Desde então, acompanhamos o trabalho uma da outra; tecemos parcerias. Posso afirmar que Ana Cândida é uma das pioneiras da moda sustentável no Brasil e, assim, recomendar o “Curso do Vestir Consciente”, excelente para quem deseja saber mais sobre moda sustentável (e ver que o termo, aparentemente paradoxal, é possível sim!)
Curso do Vestir Consciente:
O curso mostra como é possível construir o belo essencial à moda, considerando a sustentabilidade, essencial à manutenção da vida, a partir de uma visão sistêmica da cadeia produtiva do vestuário, dos princípios de avaliação do ciclo de vida do produto e das reflexões sobre as conexões entre a moda, o vestir e a consciência.
Os conceitos do Vestir Consciente são apresentados com base nos fundamentos do design sustentável, nas atualidades do mercado e nas experiências dos participantes, seguindo as diretrizes da metodologia desenvolvida pelo Instituto Ecotece.
A metodologia de aprendizagem aborda o conteúdo por meio de conceitos, dinâmicas interativas e exercícios práticos em todas as aulas.
Próxima turma: de 9 a 12 de agosto em São Paulo.
Maiores informações: www.ecotece.org.br
Estadão e Livraria Cultura promovem debates sobre sustentabilidade em São Paulo
O Estadão e a Livraria Cultura promovem encontros mensais para discutir temas contemporâneos.
Os eventos ocorrem sempre na hora do almoço e contam com a participação de personalidades renomadas.
Este mês estão em pauta meio ambiente e sustentabilidade. Participe: o evento é gratuito com vagas por ordem de chegada.
PS. Na quarta-feira, o debate contará ainda com a presença da jornalista Alice Lobo, expert em moda sustentável, responsável pelo conteúdo do site Verdinho Básico (www.verdinhobasico.com.br). Confira abaixo e programe-se!
3ª série de Encontros: Especial Meio Ambiente e Sustentabilidade
Dias 14, 15 e 16 de Julho de 2010, das 12h30 às 13h30
Programação
Quarta, 14/7:
COMPORTAMENTO VERDE – a etiqueta do século 21
Mediador: Rodrigo Villela (editor)
Debatedores: Ligia Krás (analista de tendências, Mindset/WGSN), Marussia Whately (arquiteta e ambientalista) e Beth Furtado (psicóloga, sócia da Alia Consultoria e Marketing)
Quinta, 15/7: LIXO – como anda a coleta seletiva e a reciclagem em São Paulo
Mediadora: Luciana Garbin (editora do caderno Metrópole,
do Estadão)
Debatedores: Denis Russo Bugierman (jornalista e editor do blog Isso não é normal) e Luiz Gonzaga Alves Pereira (presidente da Loga Logística Ambiental) e Sergio Luis Mendonça Alves (Secretário Adjunto e Diretor do Departamento de Limpeza Urbana – Limpurb)
Sexta, 16/7: CÓDIGO FLORESTAL – reforma e polêmica
Mediador: Marcos Guterman (editor da primeira página do Estadão)
Debatedores: Aldo Rebelo (deputado federal pelo PCdoB, relator da Comissão Especial do Código Florestal), Rafael Cruz (ambientalista do Greenpeace) e Roberto Smeraldi (jornalista e membro do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas)
Onde: Livraria Cultura Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073 loja 151


