Arquivo do mês: junho 2010

Um pretinho muito além do básico

Imagine uma marca de roupas que confecciona apenas um tipo de peça… Pois do ateliê da Bright Young Things só sai  um único modelo de vestido preto.

Lançada semana passada pela designer Eliza Starbuck, a proposta da marca é encorajar as consumidoras ao movimento “slow fashion”, uma vez que o corte prático, versátil e confortável do vestido permite que ele seja usado de inúmeras maneiras e nas mais diferentes ocasiões. 

 A ideia para o negócio surgiu a partir do vestido preto que Eliza criou para Sheena Matheiken, autora do  desafio The Uniform Project, cuja proposta de desfilar uma mesma peça durante um ano cumpriu sua proposta de chamar a atenção da mídia e dos consumidores para questões socioambientais (http://theuniformproject.com/).

 Abaixo, algumas garotas usando o seu little black dress de diversos modos: aberto ou fechado; virado para frente ou para trás; como vestido ou base para outras combinações… Veja que o look ganha o estilo que você quiser incrementado por acessórios e com sobreposições. Na loja online da marca o vestido sai por $185.

Que essas imagens nos inspirem a colocarmos em prática nossa criatividade todas as vezes que abrirmos o guarda-roupa e rezarmos o velho “ai, não tenho nada para vestir hoje…” 

www.youbrightyoungthings.com

Reportagem: Nana Soma  Edição: Danielle Ferraz

Liquidação consciente

Tarefa um tanto difícil aliar as palavras liquidação e consciência… afinal, já foi comprovado pela ciência que a palavra liquidação nos faz perder a cabeça! Nosso cérebro fica “todo empolgado” quando se depara com ofertas: ele age como se tivéssemos numa situação de emergência; a sensação de oportunidade gera urgência semelhante a de nossos ancentrais diante da oportunidade da caça.

Driblar esse sentimento e fazer compras racionais realmente não é fácil. Mas há algumas estratégias para não cair na tentação de fazer compras impulsivas, que geralmente não saem do cabide. Algumas dicas:

1. Programe-se. Antes de sair às compras, arrume o guarda-roupa, tire o que está “mofando” e liste aquilo que está precisando. 

2.  Liquidações são bons momentos para renovar seus básicos — os curingas que dão jogo com todo o guarda-roupa. Em quase todas as consultorias pessoais que faço observo falta de bons básicos no closet: camisa branca; calça jeans de corte reto (que vai bem para todas, ao contrário da skinny); regatas e blusas estilo cacharel para sobreposição; um cardigan (ou casaqueto levinho que pode ser usado em qualquer estação); uma bela calça de alfaiataria… As necessidades podem variar conforme seu estilo de vida, faça uma avaliação cuidadosa antes de fazer sua lista.

3.Não é porque a calça está com 70% de desconto que você precisa comprá-la. Quanto maior o desconto maior a sensação de urgência – e maior a probalidade do “achado” viver dentro do guarda-roupa. Pergunte-se (e seja sincera nas respostas!): preciso dessa calça? Ela vai bem com as demais peças do meu guarda-roupa? Crucial: ela valoriza o meu biotipo? Um “achado” só merece este título se passar por esses requisitos.

4. Esqueça tendências. Atualmente prefiro a palavra temas a tendências: a moda, hoje, é altamente democrática e cabe todas as formas; modelagens; cores e estampas, que vão ser trabalhadas por cada estilista e marca de acordo com seu público. Encontre o que combina com você, seu estilo de vida e seu biotipo — esta é a chave para fazer compras inteligentes e conscientes.

5. Avalie a versatilidade da peça. Ela passeia por diferentes estilos de acordo com as peças combinadas/acessórios? Pode ser usada em diferentes temperaturas? Quanto mais gerar jogos com suas outras roupas mais atenção a peça merece. Afinal, você não precisa de um guarda-roupa “abarrotado” e sim de uma guarda-roupa inteligente!

A moda do futuro na São Paulo Fashion Week

Foi uma grande — e boa — surpresa observar manifestações sustentáveis por parte representativa de marcas e estilistas nacionais na principal semana de moda da América Latina. Quando vemos estilistas de vanguarda (e de peso) como Ronaldo Fraga e Alexandre Herchcovitch incluírem tecidos reciclados ou orgânicos em suas coleções e grandes marcas como Iódice se aliarem a programas socioambientais podemos ter a certeza de que o futuro da moda caminha para uma direção mais sustentável. Aliás, como a moda reflete o tempo em que ela está inserida, não poderia ser diferente… E, aos poucos, a moda ajudará a comunicar ao mundo que é possível aliar beleza ao ambientalmente correto e socialmente justo — com a força, a leveza e o poder que a moda reúne para passar mensagens e mudar valores.  

Abaixo impressões e expressões de sustentabilidade no São Paulo Fashion Week da parceira do MODA DO FUTURO,  Bag for Life (www.blogdabag.com.br). Texto de Nana Soma.Edição Danielle Ferraz.

 

Bons ventos apontam para uma moda mais sustentável no Brasil
 
Se a água e a madeira são temas das preocupações socioambietais atuais, elas não poderiam deixar de aparercer no cenário fashion. E assim foi: não faltaram referências à água e à madeira nas cores, coleções e também nas cenografias.

 A Osklen apresentou sua coleção “Oceans” , na qual diversos tons de azul, do mais claro – quase branco – ao marinho, formaram a paleta de cores que foram tingidas no algodão orgânico. O processo de tingimento natural feita em parceria com Eber Lopes Ferreira, uma das maiores autoridades no assunto, foi a novidade desta apresentação.

 Osklen

A paleta azul da Osklen

Outro estilista que trouxe para a sua passarela (masculina) material ecológico foi o Alexandre Herchcovitch. O EcoSimple é um tecido feito 100% com matéria-prima reciclada e resultado de um complexo processo de produção: resíduos da indústria têxtil são separados por cores por comunidades de baixa renda; depois seguem para a fábrica e passam por um processo chamado desfibragem (que consiste no “rasgamento” dos tecidos e não usa nenhum produto químico). Em forma de fibras, esses materiais são fiados e tecidos com “15% de fibras de PET reciclado”, segundo Paulo Roberto Sensi Filho (sócio da EcoSimple). A.Herchcovitch - calça e paletó com manga curta _ ag Fotosite

Calça e paletó com manga curta feito com o tecido EcoSimple do estilista Alexandre Herchcovitch

 A marca Maria Bonita também fez um lindo trabalho com lâminas de madeira de reflorestamento,  articuladas em forma de mosaico sobre tecidos de diversos tamanhos e que apareceram tanto em roupas quanto acessórios. Peças de crochê de palha também se destacaram na coleção.  

 Maria Bonita - mosaicos de madeira _ ag Fotosite

Blusa feita com mosaico de madeira da Maria Bonita…

Maria Bonita _ croche 
.. e o belíssimo crochê de palha na blusa e no chapéu 
 
A estilista Simone Nunes, que na última edição da São Pualo Fashion Week já havia apresentado uma coleção engajada com a questão ambiental, trouxe uma cenografia feita com madeira de demolição, reforçando a importância da reutilização.
 
Simone Nunes - passarela upcycled
A passarela upcycled de Simone Nunes 
 
As marcas Iódice e Movimento, assim como o estilista Ronaldo Fraga, buscaram agregar elementos ambientalmente corretos e com trabalhos feitos por comunidades em suas coleções. A Iódice usou pele de pescada em bolsas; tucumã em forma de canutilho bordado em várias peças e cortiça em cintos e sapatos. Também fez um  tingimento do couro  com base vegetal. A adoção de uma unidade de conservação no Amazonas, que receberá um real de doação por cada peça da marca vendida, é um o ponto alto das iniciativas socioambientais da marca.

 iodice-detalhe-tucuma

Vestido com detalhe de tucumã na Iódice…

iodice-cortica
… e a cortiça no cinto e detalhe da bolsa  

A marca de beachwear Movimento fez um trabalho social e ecológico com uma comunidade localizada à beira-mar em Recife. Essas mulheres de pescadores passaram por seis meses de treinamento com Tininha da Fonte, estilista da marca e escolhida para encabeçar o projeto Pernambuco com Design. O resultado são peças feitas a partir do reaproveitamento de pele de peixe cujo efeito remete a lascas de madeira. 

Movimento
Lasca de madeira? Não. É o maiô da Movimento feito de pele de peixe reaproveitada. 
 
O estilista-poeta Ronaldo Fraga, também presente no projeto Pernambuco com Design, não apenas trabalhou com as artesãs do estado, mas também com as mulheres da Paraíba e de Minas Gerais para fazer delicadas rendas renascença e bordar vestidos, saias e tops. Para finalizar esta maestria de design artesanal e sustentabilidade, o estilista mineiro utilizou algodão orgânico cru em parte da coleção.
Ronaldo Fraga - rendas _ ag Fotosite
A renda no vestido de Ronaldo Fraga… 
Ronaldo Fraga - algodao org. bordado _ ag Fotosite
… e o vestido de algodão orgânico com bordados 

Biojóias de Patrícia Moura na primeira fila do Fashion Rio

Patrícia Moura, designer de biojóias lindas e diferenciadas de Recife,  retratadas num post aqui no MODA DO FUTURO, (veja Jóias de Fibra) foi parar na primeira fila do Fashion Rio. Engajada com a moda sustentável nacional, a stylist e apresentadora do GNT, Chiara Gadaleta, escolheu a biojóia assinada pela artista plástica para acompanhá-la na maratona de moda.

Em São Paulo, com muita honra, as biojóias de Patrícia Moura estão representadas com exclusividade no espaço MODA DO FUTURO. Venha ver de pertinho — e se encantar, como Chiara Gadaleta.

“Lampejos” de sustentabilidade na SPFW

Com o tema “Anima“, o SPFW começou na quarta-feira em clima de novos ventos soprando e anunciando o próximo verão brasileiro. Em um breve giro pelo prédio da Bienal, percebe-se propostas relacionadas à sustentabilidade.

 O nosso tour se inicia com Espaço Oi Moda em que objetos cotidianos e comuns à construção civil são reutilizados ao ser retirados de suas funções básicas.  A proposta de reconstrução destes produtos lembra o brinquedo Lego onde a transformação é uma constante.

 

Oi lounge
Plástico que lembra uma sacola gigante se torna uma chaise-longue

 Como moda é movimento e se integra às outras áreas, como a arte, o estilista Jum Nakao apresenta a performance “Vestígios Vestíveis” que é um ambiente cenográfico correspondente a um boteco típico de qualquer esquina Brasil afora. Este cenário será transformado objeto por objeto ao longo dos seis dias do evento.

 

Jum Nakao instalação
O bar se transformará em um espaço totalmente revestido de branco

 

Para finalizar, o lounge da Melissa vem em clima amazônico onde o espaço se transforma numa floresta estilizada geométrica. Entre as peças da nova coleção Melissa Amazonista, a criação do designer italiano Gaetano Pesce é a mais cool! A sandália pode ser customizada de uma ankle-boot a uma rasteirinha. Pegue uma tesoura e a transforme em um objeto único de desejo. Não sabe  o que fazer com os glóbulos recortados? Uma dica é pensar no reuso que você pode criar a partir do recorte que você dar. Pensem em pulseiras, acessórios para cabelo, pingentes, colares… a imaginação flui solta!

 

Melissa lançamento
De ankle-boot ao que a sua mente criar!

 Quer dar um respiro da Bienal? Vá até a Galeria Melissa localizada na Rua Oscar Freire e respire o ar puro das plantas expostas verticalmente na parede também estilizada desta recriação amazônica.

 

Melissa loja OF
As samambaias na Galeria Melissa

 Fonte: www.blogdabag.com.br

 

 

 

 

 

 

Moda do Futuro & Bag for Life:parceria e sintonia em ações sustentáveis

Há uma propaganda de banco rodando por aí cujo jargão resume bem o espírito da sustentabilidade: “vamos fazer juntos?”. Sempre tenho muito prazer de apresentar novos parceiros, já que o cerne da sustentabilidade são as parcerias.  Sim, acredito que somando forças vamos mais longe! 

A partir desta semana, a Bag for Life, marca de bolsas sustentáveis  — e maravilhosas! — de Porto Alegre, estará representada em São Paulo no espaço MODA DO FUTURO. Criada em 2o07 por duas especialistas em sustentabilidade, Daniela Arruda, que ministra aulas sobre sustentabilidade na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), e pela consultora Iva Cardinal, a Bag for Life vai além do produto e encabeça diversas ações de educação da sustentabilidade pela moda no sul do país. Uma delas, em parceria com o MODA DO FUTURO, será anunciada em breve…aguarde!  

 

Saiba mais em www.bagforlife.com.br

Artesanal & Atemporal

Tem roupa que tem prazo de validade; passa tão rápido quanto os modismos. Já outras são atemporais. E se você pensava que dentro dessa categoria só cabia clássicos como um tubinho preto ou uma camisa branca, passou longe! Peças feitas artesanalmente, com um alto padrão de qualidade, a semelhança das roupas de alta-costura, são feitas a mão;  exclusivas e imunes ao passar do tempo.  

Prova disso é este editorial de moda que editei para a revista UMA em 2004 — e encontrei em meu portfólio. Intitulado “Artesanato Moderno” reuniu peças artesanais e sustentáveis de diversas marcas nacionais.

Nesta semana em que começa a São Paulo Fashion Week e antecede as liquidações outono-inverno, as fotos do editorial — realizado há anos e tão atual –, vale para reforçar a ideia de que um visual personalizado e  e cheio de estilo sobrevive as tendências e são um investimento que rende frutos anos e anos depois. Inspire-se!

Jóias de Fibra

Acredito que moda é comunicação. Comunica sobre nós antes mesmo de dizermos qualquer palavra. Comunica valores. Comunica sobre a nossa sociedade, nossa época.

Talvez por isso tenha particular encantamento por designers que criam beleza a partir de trabalhos socioambientais. Aí enxergo a “MODA DO FUTURO”, inserida no contexto em que vivemos hoje, no qual somos todos coparticipantes na preservação dos recursos finitos do nosso planeta. E a MODA DO FUTURO é responsável — não é “encimesmada”, olha para o outro.

E me encantei de ver todos esses predicados no trabalho da artista plástica Patrícia Moura, de Recife. Me encantei não só com a beleza de suas biojóias – que fazem sucesso nos EUA, Portugal, Canadá e Turquia –, mas sobretudo com o belíssimo trabalho socioambiental da designer que, há mais de 5 anos, cria suas peças a partir de matérias-primas naturais e reutilizadas ”sem agredir o ambiente nem comprometer futuras gerações”, como ela afirma.

 

Para a artista a “moda do futuro” não se faz apenas do ambientalmente correto — é preciso haver um trabalho social em conjunto. Criou o projeto “Jovens de Fibra”, em Fernando de Noronha, a fim de capacitar moradores da ilha a criar biojóias e, desta forma, gerarem renda para sobreviver. Formou pessoas que pudessem espalhar o know how  e “caminharem por si mesmos”, como Patrícia diz, já que os altos custos e o difícil acesso não lhe permitiria idas e vindas constantes à Noronha.

Atualmente, Patrícia dedica parte de seu tempo num trabalho social no Hospital do Câncer, onde ensina a arte das biojóias aos acompanhantes dos doentes que chegam a passar meses (quando não anos) em tratamentos.  Além de levar ânimo e um passatempo para essas pessoas que passam a viver no hospital, a artista plástica pretende fazer parcerias e, assim, ajudar a gerar renda para essas famílias.

E é com muito prazer que a apresento a mais nova integrante do espaço MODA DO FUTURO. Encantada.

www.patriciamoura.com

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