Arquivo do mês: março 2010

O barato pode sair caro demais

“Uma operação de auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP) inspecionou as instalações da Indústria de Comércio e Roupas CSV Ltda., registrada em nome do boliviano Valboa Febrero Gusmán, em 18 de fevereiro. Na oficina de costura que funciona no sobrado de uma igreja evangélica no bairro de Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte da capital paulista, foram encontradas 16 bolivianos (um deles com menos de 18 anos) e um jovem peruano trabalhando em condições análogas à escravidão na fabricação de roupas femininas. Entre elas, peças com etiquetas para a rede de magazines Marisa.”

O fato acima, que foi relatado no blog do jornalista Leonardo Sakamoto (blogdosakamoto.com.br),  requer no mínimo,  nossa atenção e reflexão. No êxtase da compra poucos se perguntam sobre a procedência da peça recém-adquirida. Nunca nos damos conta das (muitas) mãos por quais passaram aquelas roupas que adoramos. E das condições em que elas podem ter sido confeccionadas.

Há dois ditados que ouço desde criança: “o barato sai caro” e “ninguém faz milagre” foi exaustivamente repetido pelos meus pais sempre que falávamos de “um negócio bom demais para ser verdade”. Quase sempre, tenho que dar a mão à palmatória, realmente não era.

Como jornalista de moda engajada em questões socioambientais faço hoje dos ditados acima minhas palavras. Já estive em diversas oficinas no Bom Retiro e em bairros afastados (e muito pobres) de São Paulo. Vi de perto condições de trabalho precárias, onde a imundície  faz parte do contexto. Já cheguei a ver rastros de ratos.

Não, jamais poderia afirmar que todas as oficinas por onde passam roupas “superbaratas”  trabalham de forma ilícita. Mas é nosso dever como consumidores conscientes questionar de onde sai e por onde passa aquilo que vai fazer parte do nosso guarda-roupa. ”Boicotar” empresas cuja procedência dos produtos esteja ligada a alguma forma de depredação do ser humano e do meio ambiente é mais do que nossa obrigação. E honrar aquelas cujas ações beneficiam a sociedade como um todo — e não apenas o bolso dos proprietários –, nosso dever. Só assim podemos romper este ciclo cruel e verdadeiro de oficinas de costura cujos imigrantes latino-americanos trabalham como escravos a fim de que na vitrine esteja exposta uma roupa com o menor preço possível. Porque, na verdade, ela foi obtida a um custo alto demais.

Reforma Sustentável

Há alguns anos me mudei às pressas. Meus filhos haviam acabado de nascer; o apartamento havia acabado de ser entregue e precisava me instalar. Cheguei, imaginem, a ficar hospedada com trigêmeos recém-nascidos na casa de minha irmã…

E durante quase 5 anos vivemos com várias coisas mais ou menos (na casa, claro!). Coisas básicas que deveriam ser feitas, como  impermeabilização de piso, com o corre-corre ficaram para trás. Já bem diz o ditado que a pressa é inimiga da perfeição — e é verdade! Mas com trigêmeos recém-nascidos tudo é perdoável.

E então chegou a hora de fazer o que ficou no meio do caminho — com a sustentabilidade ainda mais arraigada do que há 5 anos. Minhas reflexões e descobertas, compartilho com vocês.

1. Em vez de móveis novos, é possível mudar a cara da casa investindo em tecidos. Aproveite as estruturas e recubra sofás, poltronas; faça colchas e cortinas. Deus mora nos detalhes — e são eles que conferem estilo e fazem a diferença.

2. Seja criativa. O tecido de uma cortina antiga pode virar o dossel de uma cama de “princesa” (dica de minha querida amiga e designer Letícia Alencar!).

3. Nem sempre o mais barato vale a pena. Quando se fala em sustentabilidade, o item durabilidade pesa muito. 

4. Enquanto escrevo este post a arquiteta me liga dizendo que “algumas portas estão condenadas”. Não tem jeito, algumas coisas tem que ser refeitas — mas sempre se pergunte para quem pode ser útil aquilo que não serve mais para você. Algumas instituições retiram as doações em sua própria casa, pesquise e não deixe virar “lixo” o que de alguma forma ainda pode ser útil.

5. Adorei um piso de PVC reciclado que imita madeira, o Ambienta. É lindo e sustentável (certificado).

6. Está cada vez mais fácil e acessível encontrar produtos sustentáveis. Pesquise e surpreenda-se!

7. “Família Vende Tudo” são eventos excelentes para adquirir peças bacanas a preços convidativos. E a reutilização é uma forma de reciclagem. A empresa www.patricianora.com.br organiza vendas em casas de família toda semana. Informe-se!

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