MODA DO FUTURO:do conceito ao concreto
Sempre trabalhei com conceitos. E me esforçava para torná-los o mais palpável possível embora percebesse que não era tão simples assim entender a tal “moda sustentável”.
Não posso, então, deixar de registrar o quanto tem sido maravilhosa a experiência com o espaço MODA DO FUTURO: enfim, ficou fácil de entender o conceito de “moda sustentável” pois ele está lá, na forma de criações incríveis, prontos a serem tocados, sentidos, experimentados.
A admiração de todos, conhecedora dessas criações há anos que sou, me espanta e encanta. São poucos os que conhecem o trabalho de designers e estilistas que pautam seu trabalho sob a ótica do cuidado com o outro e com o planeta. E elas não só encantam os olhos mas enchem de esperança o coração ao ver que sim, é possível fazer diferente.
Fotos: Clóvis Zanette
MODA DO FUTURO em fragmentos
Um tira-gosto fotográfico para dar ainda mais apetite aos que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o MODA DO FUTURO, um espaço todinho sustentável, a acomeçar peça decoração concebida pela designer Letícia Alencar.
Inauguração do espaço MODA DO FUTURO
O lustre de 1920 foi achado num estacionamento por uma amiga. Iria para o lixo. Uma das paredes foi revestida com flores de 45o garrafas PET feitas por uma comunidade da Amazônia. Caixas de feira fazem às vezes de prateleira.
E assim o espaço MODA DO FUTURO vai tomando corpo; os últimos detalhes sendo cuidados para a inauguração dia 18/1, próxima segunda (estão todos convidados!).
O espaço vai ser mais um braço da MODA DO FUTURO, nome que abarca uma rede de ações de difusão de sustentabilidade pela moda, como palestras; desenvolvimento de conteúdos e projetos para especiais para empresas. E o blog, claro!
Meu desejo é desmitificar e tornar mais acessível esta moda linda (em todos os sentidos); cuja criação vai além de tendências, cores e modelagens e se preocupa com o planeta em todo o seu processo produtivo.
Para começar, convidei aqueles cujo trabalho sustentável vem de longe; faz parte tanto do DNA de seus criadores quanto de suas marcas.
Eduardo Miguel com seu incrível trabalho com galhos recolhidos, que lhe já renderam tantos prêmios lá fora e o título de artista.
Maria Lixo, afinal, como sabem é minha marca de bolsas preferida (veja post Minha bolsa preferida).
Refazenda e Fê Ronconi, duas marcas que, literalmente, visto a camisa (e os vestidos; saias, calças!), pois conseguem fazer roupas lindas e modernas aproveitando cada retalho e envolvendo comunidades no trabalho.
Suzana Rodrigues e suas biojóias sofisticadas, feitas em parceria com presidiárias que montam não apenas belas peças mas um futuro melhor quando sairem dali. Não por acaso, a designer é muito reconhecida e hoje tem peças até no MOMA (NY).
E, para terminar, queria colocar uma marca de cosmésticos orgânicos. Pesquisei e testei várias — me apaixonei pela IKOVE by Florestas, cosméticos de primeira linha com várias certificações internacionais e a única produzida no país que possui linhas completas para rosto, corpo e cabelo.
Registro aqui minha honra de ter um time como este no espaço MODA DO FUTURO e deixo o convite para conhecerem pessoalmente o trabalho que tento descrever aqui no blog, daqueles que estão à frente do seu tempo fazendo de fato a moda do futuro.
MODA DO FUTURO: Rua Morais de Barros, 452 — Campo Belo –SP. Tel. (11) 4458-4141
Visões (e impressões) da Patagônia
O lugar parece congelado no tempo; imune aos modismos e a correria. Esqueça comprar qualquer coisa entre às 13h e 16hs — mesmo quem vive do comércio faz sua sagrada “siesta” e fecha sem cerimônia. Jantar antes das 20h — tarefa impossível, não há restaurante que esteja aberto antes desse horário.
Moda? Casacos quentinhos; blusas e calças de tecidos térmicos e confortáveis, que resistem ao vento gelado e a média de 10 graus em pleno verão. Em algumas lojas mais sofisticadas encontra-se sim roupas de pele animal mas, de fato, num lugar onde quem vive ou visita tem tanto apreço pela natureza, não vi uma pessoa sequer desfilar algo feito de mink ou com detalhe de pele de raposa. Aliás, felizmente, só vi pele como vestimenta nos museus patagônicos aquecendo os índios, primeiros habitantes do local — como sabem, a long time ago…
Embora para quem visite pareça intocada, quem vive na Patagônia afirma sentir na pele as mudanças climáticas. O clima mais seco privilegia as queimadas; assim como a falta de água em pequenos lagos de algumas regiões — o derretimento do gelo das Cordilheiras dos Andes, pode ser acompanhado a olho nu (ou pela simples comparação de fotos de alguns anos atrás, dizem).
De qualquer forma, o povo da Patagônia se esforça para promover uma vida sustentável: conseguirem se manter prioritamente do turismo sem deixar que os turistas deixem ”pegadas” na natureza de uma das regiões mais belas da Terra.
