Reflexões, dicas e notícias sobre moda e sustentabilidade

E eu, que pensava que a moda do futuro misturaria algo como  Jetsons com Matrix e Guerra nas Estrelas… Então o futuro chegou sem visuais plastificados e massificados, sem tendências previamente estabelecidas, coroando a individualidade e o retorno à simplicidade.  E preocupar-se com o planeta, com o outro, nunca esteve tão na moda.

Moda de Matar

Carta aberta à Revista Vogue

Modelos magérrimas (ainda mais que do são normalmente, acredite), com “cara de drogadas” (quando não se drogando), marcaram a estética dos anos 90, que ficou conhecida como a década do “heroin chic”. Como se poderia haver algum glamour em se drogar… Mas o fato é que isso tudo aconteceu e está registrado nas campanhas de moda e editoriais da época.

O resultado foi o aumento do uso de drogas e mortes por overdose, o que gerou até o pronunciamento do então presidente dos Estados Unidos na época, Bill Clinton, pedindo um basta nessas campanhas de moda que, além de lucros para as marcas, estavam gerando mortes. Literalmente.

Polêmica vende e sabemos disso. E revistas e campanhas de moda vendem muito mais do que produtos, mas comportamento. Escrevo isso em meio à indignação com a reportagem da Vogue Brasil publicada nesta edição de maio com o título de “Comer pra quê?” – fazendo apologia à nova “dieta dos famosos”: o jejum.

Cara Vogue, não sou eu, aos meus 38 anos, que vou aderir a essa “dieta”.  Já vivi o suficiente em meio à moda para ver dietas de todos os tipos – da Lua ao abacaxi – e perceber que o melhor caminho para se manter em forma e, o mais importante, SAUDÁVEL, é ter uma alimentação balanceada.

Quem vai fazer esse jejum são meninas com seus 12, 13 anos, que sonham um dia-talvez-quem sabe estar nas páginas de sua revista – que, como a maioria, só exibe modelos magérrimas. E vai ser mais fácil, Vogue, vamos convir, elas se tornarem mais algumas das adolescentes que engordam as estáticas da anorexia do que estamparem um editorial de moda em suas páginas.

Moda é comunicação. Está mais do que na hora de usarmos esse poder com responsabilidade. “Comer pra quê”, Vogue? No mínimo, pra viver.

Moda de respeito

Algumas palavras com o passar do tempo vão adquirindo maior significado e importância. A palavra da vida hoje, para mim, é respeito. É uma palavrinha assim mágica, com o poder de deixar todas as relações mais saudáveis.

A começar pela nossa relação conosco. Quando a gente se respeita a gente se valoriza através de nossas escolhas — inclusive no tão importante ato cotidiano de se vestir. Quando a gente se respeita a gente aprende a dizer não para modismos que estão em voga mas não tem nada a ver com a gente. E também diz não para aquela peça linda que a gente “amou de paixão” mas que não cabe no orçamento (e vai se transformar numa dor de cabeça no formato de parcelas!). Aprender a dizer não quando o mundo todo pede que digamos sim pra tudo já que, ora, “o  importante é ser feliz agora!”,  é uma baita atitude de respeito!

Acredito que aprender a se valorizar e otimizar o guarda-roupa é a chave do estilo – e também de um guarda-roupa consciente. E também que uma atitude mais sustentável — de respeito — com nosso planeta começa dentro da microesfera “nossa casa”. Ou nosso guarda-roupa, se preferir.

E é com isso em mente que iniciei esta semana um novo desafio a convite do Yahoo! Brasil: ser colunista de moda do portal, assinando o blog Tá na Moda,  e apresentar um programa que idealizei com o objetivo de resolver dilemas fashion de uma maneira, digamos, mais sustentável.

O blog “Tá na Moda” já está no ar e por lá, duas vezes por semana,  compartilharei minhas dicas de moda. O programa estreia em maio!

E o Moda do Futuro continuará por aqui, reservado para repartir com vocês minhas reflexões. E também aquelas histórias inspiradoras que ganham não só minha admiração, mas também meu –nosso!– respeito.

Pernambuco feito a mão

Se há hoje um polo nacional com moda e design produzidos de maneira sustentável e com interessância esse lugar é Pernambuco. Há sim belos trabalhos por todo o Brasil, mas lá em Pernambuco os criadores conseguiram um feito: se organizarem e unirem forças para ganhar mercado. E assim nasceu o  projeto “Pernambuco feito a mão” com o objetivo de valorizar, promover e comercializar peças de diversos “ecodesigners” locais.

O projeto foi idealizado pela artista plástica e designer de biojoias Patrícia Moura,  que tem no seu currículo a arte de agregar: é dela também a iniciativa do “Coletivo  Brasil- Moda Sustentável” — coletivo de criadores de todo o país com o intuito de trocar experiências e promover ações para que todos ganhem visibilidade. Graças, sobretudo, a um engajado grupo pernambucano o “Coletivo Brasil” representou o país em diversos eventos internacionais ligados a moda sustentável: as criações foram parar em exposições e passarelas da Colômbia; Uruguai; Espanha e Holanda. E aqui em São Paulo também, num evento que produzimos a muitas mãos no Espaço Moda do Futuro.

 

 

 

Apoio esses criadores não só pela questão da sustentabilidade — já que, como costumo dizer em palestras e escrever por aqui –, essa característica não basta para encantar e vender. Cada um desses trabalhos têm beleza, qualidade e originalidade — atributos mais que bem-vindos em meio a uma moda pasteurizada. O tipo de peça que te param na rua para perguntar de onde é…

Localizado no Espaço Cultural Hora do Passo, no bairro turístico de Boa Viagem, em Recife, o projeto “Pernambuco feito a mão” expõe o artesanal produzido com modernidade e preocupação socioambiental. Para inglês ver — e nós, brasileiros, darmos valor…

 

Pernambuco Feito a Mão

Espaço Cultural Hora do Passo

Rua Dom Estevão Brioso, 72 – Boa Viagem- Recife/PE

E-mail: pernambucofeitoamao@gmail.com

Tel: (81) 3031-7085/ 9904-8021

O poder transformador do design

Conheci Juliana Foz numa banca de formandos do Senac. Com suas criações que aliavam moda e sustentabilidade com beleza e poesia encantou, não só a mim, mas a todos os presentes: foi a única estudante, na data, a receber 10 com louvor. Estreitamos laços. Desde então acompanho o trabalho da estilista  que deseja ir além da criação propriamente dita: ela deseja usar a produção como ferramenta para um mundo melhor.  Aqui ela conta para a gente como está fazendo a diferença num dos maiores assentamentos do país.

Por Juliana Foz*

A aproximação entre designers e artesãos é um fenômeno de extrema importância pelo impacto social e econômico que gera e por seu significado cultural. Trabalhar com a identidade local e com o cotidiano faz com que os artesãos tenham mais orgulho das suas origens. Os produtos feitos a mão tem alma, transferem algo que vem de nós mesmos, em vez da uniformidade e da padronização dos objetos industriais. São únicos, têm a beleza da imperfeição. Eles nos contam de um lugar preciso, onde foram feitos por pessoas concretas, trazem um sentido de pertencimento. Neste contexto, o papel do designer, do profissional que pensa criativamente o futuro, é ser uma ferramenta que resolva problemas e necessidades humanas, pensando  de maneira inclusiva e inovadora.

Em sua parceria com o artesão o designer deve pensar em como propiciar à sociedade a ao entorno novos valores; pensar também como criar uma sociedade melhor e, a partir daí, no que podemos produzir para que essa sociedade seja diferente. Os objetos produzidos serão simplesmente o meio, a forma que vai conduzir à compreensão de uma mudança. Acreditando neste poder transformador do design, o objetivo principal do “Projeto Mãos que Tecem Histórias” é oportunizar novas perspectivas de vida às mulheres, para que elas mesmas teçam novos rumos para o futuro: trabalhando, aprendendo e sendo detentoras de seu próprio ganho.

O “Projeto Mãos que Tecem Histórias” foi iniciado com o Grupo de Mulheres “Flores do Campo”, dentro da Agrovila Campinas/ Assentamento Reunidas, maior assentamento de terras do Estado, localizado na cidade de Promissão/SP. O nome do projeto propõe a conexão e ressignificação de diversas histórias e origens de diversas partes do Brasil, e que se uniram em uma mesma terra, também criando costumes e identidade neste lugar. O projeto objetiva mapear as potencialidades da região quanto à técnicas de artesanato, matérias-primas e talentos criativos para então desenvolver produtos com a identidade local, gerando impacto social: aumento de renda e ganho de autoestima dos artesãos envolvidos.

Não esperar pelo ideal, trabalhando com o que esta à disposição — retalhos de tecido e técnicas manuais – torna-se um desafio. Sabendo que o lixo é o único recurso em crescimento hoje no planeta, e que sua utilização necessita de tempo e atenção para utilizar o resíduo de forma que a peça que tenha um valor estético e comercial, inverte-se a lógica da produção, buscando antes o refugo, escolhendo o material de acordo com suas cores, texturas e peso. Essas características do material acabam por sugerir o produto: escolhemos o que será produzido a partir dos materiais que recebemos. Nas experimentações também se percebe grande variação no trabalho realizado pelas artesãs, de acordo com a personalidade de cada uma. Todas as intervenções realizadas trazem novas possibilidades dentro dos fazeres manuais tradicionais (bordado, crochet, costura), e, buscando novas soluções desafiamos a lógica da produção para então criar produtos mais originais, pois sabemos que esta é a missão do designer: para modificar os atuais modelos de desenvolvimento econômico, deve atuar propondo mudanças e intervenções tanto no consumo quanto na produção.

Juliana Foz é designer, Bacharel em Design de Moda pelo SENAC – São Paulo/SP. Pós-Graduanda em Direção de Criação para Design e Moda pelo ORBITATO – Instituto de Estudos em Arquitetura, Moda e Design – Pomerode/SC. Contato: juliana_foz@yahoo.com.br / (11) 98778 0101

Decotão sem vulgaridade? Minhas dicas no programa Mais Você

No que se refere ao nosso guarda-roupa têm temas que são mais delicados. Usar decotes sem sutiã, por exemplo. Para algumas mulheres algo corriqueiro. Para a maioria, no entanto, uma fonte enorme de dúvidas!

Estive no programa Mais Você, da Rede Globo, para mostrar que dá para casar decote sem sutiã com elegância. Montei quatro looks que servem de exemplo do que a gente tem  que observar para ver se dá para deixar a peça íntima de lado. Antes de embarcar para o Rio com os looks “a tiracolo” provei um a um para ver se a teoria iria se concretizar na prática. E aqui vai a primeira dica: observar no espelho a sutil diferença do “entrever” para o revelar é o principal para conseguir um visual que equilibre sensualidade e elegância.

Ainda assim só o espelho não basta para a gente ficar livre de escorregões. A composição de um look é feito uma música, construída nota a nota. Por isso listei algumas considerações para facilitar sua vida naqueles dias que a gente quer fazer a linha mulher fatal — mas sem “periguetismo”!  Olha só:

 

 

A maioria dos decotes, no entanto, permitem o uso de diferentes modelos do sutiã (você fez ufa!?). Pessoalmente gosto muito do modelo tomara-que-caia no tom nude (cor da pele) e costumo indicar para a maioria das clientes ter ao menos um no guarda-roupa. Costumo observar que muitas peças ficam paradas no armário devido a falta de um sutiã apropriado — e nem todo mundo dispensa a peça íntima, né? Se for esse o seu caso se aventure pelas lojas de lingerie sem hora para voltar: cada sutiã veste de uma forma, é preciso provar, provar… até acertar.  Um sutiã especial, acredite, pode otimizar o uso das suas blusas e tops que não vão bem com o modelo de alças tradicional.

Assista a matéria completa  clicando no link abaixo e escolha a melhor maneira para usar seu decote. A única coisa indispensável é a elegância ;-)

Decote sem sutiã? A consultora de moda Danielle Ferraz ensina como manter a elegância no programa Mais Você

Piaçava & Bombril

Apresento-lhe a piaçava, espécie de palmeira nativa do norte e nordeste brasileiro  que é usada, entre outras coisas, para fazer vassoura. E o Bombril que, ah, você já conhece. Dois elementos arraigados as mais simples –e nada glamourosas – tarefas cotidianas e que foram poetizadas nas mãos de mestres.

Os primeiros, os Irmãos Campana, designers brasileiros reconhecidos internacionalmente que foram incumbidos de decorar a Bienal nessa edição verão 2014 do São Paulo Fashion Week. Recorreram à brasilidade da piaçava – que, depois do evento, voltarão às fábricas a fim de serem transformadas em vassouras (com a marca SPFW por Irmãos Campana?). Brincadeiras (ou ideias) a parte, tiveram em mente nossas matérias-primas e a utilização sustentável.

 

Já o Bombril, nosso companheiro de pia, surgiu como acessório de cabelo no desfile do estilista Ronaldo Fraga. O tema da coleção, futebol e, como de esporte de elite nos idos anos 30 e 40, ele se popularizou e só assim, atenção, se transformou num esporte que é sinônimo de Brasil. Graças a ginga de muitos negros brasileiros que, até eu que nada entendo de futebol sei, batem um bolão.

Somos um país miscigenado. Minha filha branca como a neve tem o cabelo crespo, crespo. Eu acho lindo, ela, se acha….Meu filho moreno tem cabelo liso de índio. E assim somos nós, feitos de uma mistureba sem fim que faz de nós um povo lindo.

Acompanho a trajetória de Ronaldo Fraga desde o primeiro desfile. Poucos estilistas exaltam nossa cultura como ele. Racismo? Quando a gente enxerga todos iguais, independentemente da cor de pele, há espaço para uma brincadeira com licença poética de colocar modelos com cabelos de Bombril. E a nós, cabe valorizar nossa brasilidade feita sim de cabelos crespos e palmeiras piaçavas ou continuar lutando por uma moda com identidade nacional feita sob “inspiração” das passarelas europeias.

5 boas razões para você usar pele falsa

(E não é porque você vive no Brasil)

Sim, as peles verdadeiras voltaram numa unanimidade que, confesso, não imaginei ver novamente. Desde que a sustentabilidade tornou-se pauta e o respeito  pelo meio ambiente ganhou adesão, quem usava  pele verdadeira recebia olhares tortos – quando não balde de tinta dos ativistas.

Os negócios falaram mais alto do que os princípios? Parece que sim. De olho nos emergentes endinheirados, desejosos de denotar status, as marcas ressuscitaram o símbolo máximo da opulência: a pele verdadeira – onipresente nas semanas de moda internacionais.

Aqui, 5 boas razões para optar pela pele falsa – muito mais moderna, chic  e sintonizada com o nosso tempo (puxa já dei 3!)

1.Peles falsas são mais divertidas.

Em vez de transmitir a mensagem de status e opulência, a pele falsa passa a ideia de despojamento e modernidade. Colorida, confere ao look um ar bem divertido.

2. Pele falsas são mais fáceis de cuidar.

A pele verdadeira exige manutenção. Precisa arejar, refrigerar, pode dar bicho (sim, é pelo animal). A pele falsa pode ser lavada até em casa, a mão.

3. Pele falsas são mais baratas.

Óbvio. Mas vale lembrar que também podem durar uma vida. Herdei um que minha mãe comprou aos 16 anos (ela tem 63!) e uso até hoje. Coroa, inteirão…

 

4. Peles falsas são similares no efeito. A evolução da indústria têxtil permitiu a produção de peças de pele sintética bem similares a verdadeira. Como diferenciá-las: a textura do pelo animal é mais macio (lembra o pelo de um bichinho)  e o brilho é maior. Mas sem tocar até especialistas em moda às vezes se confundem.

5.Peles falsas poupam a morte cruel – e desnecessária – de milhares de animais.

A maioria dos animais cujas peles são retiradas pela indústria da moda não tem sua carne consumida. Ou seja, não há um aproveitamento sustentável como, por exemplo, acontece com o boi. Para fazer um casaco de comprimento médio são necessários cerca de 100 chinchilas; 70 martas-zibelinas; 27 guaxinins ou 11 raposas douradas. Sem contar o  comércio de pele clandestino e a forma como esses animais são caçados e mortos. Tristeza sem fim que bastaria para acabar com qualquer glamour, não?

 Fotos: Reprodução

Sustentabilidade é pop!

Nem passarela, nem blogueiras: aqui no Brasil nada é mais poderoso para popularizar um modismo do que uma novela. De inspirações orientais a suburbanas,  alguns figurinos de novela alcançam repercussão tamanha que a moda  passa a ser identificada pelo nome da personagem. Que o diga Jade, personagem de Giovanna Antonelli em “O Clone”,  e até mesmo a icônica viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte em “Roque Santeiro” e símbolo das extravagâncias  que reinaram nos anos 80 (quem escapou dos laçarotes de tule na cabeça à la Porcina nessa época? Eu não! Tenho várias  fotos de criança assim!)
A próxima novela das seis da Rede Globo, “Flor do Caribe”, promete colocar em cena algo que nos é muito familiar e até então pouco valorizado: as peças artesanais, típicas do Norte e Nordeste, e as biojoias — acessórios feitos com matérias-primas naturais como sementes, palhas, coco etc.
Muito além das peças  vendidas em feirinhas hippies, o Brasil é um celeiro de criações artesanais com apelo ecológico produzidas com  qualidade e sofisticação.  Entusiasta da moda feita sob esse viés tive o prazer de conhecer inúmeras marcas que não só passaram a fazer parte do meu guarda-roupa como ganharam um espaço aqui em São Paulo, o Espaço Moda do Futuro, para compartilhar as minhas descobertas com quem ama esse tipo de trabalho como eu e que, normalmente, fica espalhado e escondido pelos quatro cantos do país.
Desejo que a novela venha despertar a curiosidade por roupas e acessórios que têm no seu DNA a cara do nosso país e, hoje, são mais valorizados por estrangeiros do que por nós, brasileiros. E que a partir da personagem de Grazi Massafera, Ester, vejamos o quão linda e sofisticada é essa tal de moda sustentável que, felizmente, está deixando de ser nicho para se tornar pop.

PS. Aqui no blog há vários posts sobre marcas que trabalham o artesanal com sofisticação tanto em roupas como na criação de incríveis biojoias. Navegue e conheça alguns dos tesouros que temos pelo Brasil.

Quebrando mitos de moda com os looks do Oscar

1. As magras e belas podem vestir o que quiser já que arrasam de qualquer jeito…

Não! As roupas precisam valorizar nosso biotipo seja ele qual for. A prova: a linda Anne Hathaway, desvalorizada em seu Prada.

2. Gordinhas não devem usar cores claras.

A modelagem é que se deve ser levada em conta para valorizar a silhueta! A prova: Octavia Spencer e Queen Latifah, muito elegantes com seus vestidos claros.

3.Quem tem pele muito clara não deve usar tons de bege.

Tudo depende do contexto (taí o motivo de eu não gostar de “engessar” clientes com cartelas de cores nas consultorias). Um batom vermelho, por exemplo, basta para iluminar o tom de pele. A prova: a branquinha Jessica Chanstain, exubertante em seu bege rebordado Armani Privé

4. Respeitar protocolos é careta. Moderno é quebrá-los.

Dá para ser fashion, respeitar sua personalidade exuberante estando alinhada ao dress code da ocasião. Imagina subir para receber um Oscar com o look mais desapropriado da noite? A prova: a ganhadora do Oscar de “melhor cabelo e  maquiagem” Julie Datnell, que também ganhou o título de mais mal vestida da noite…

5. O importante é estar linda. Vestido ou salto difícil de andar não é problema em noites de festa.

A gente quer arrasar em noites especiais mas é preciso estar “confortável” e segura com o look. Um salto lindo ou um vestido que dificulte andar pode colocá-la em saias justas. A prova: Jennifer Lawrence. Estava linda de Dior mas não escapou a um tombo na hora de subir as escadas. (Ok, pode acontecer com todas numa noite de emoção!)

 

6.Vestidos muito rebordados e chamativos pedem joias discretas.

Esse quesito depende apenas do seu estilo. É possível obter sim um visual harmonioso com look exuberante e joia idem. A prova: Catherine Zeta-Jones com longo dourado de Zuhair Murad e brincos grande e vistosos em total harmonia com o look.

7. “Senhoras” devem evitar transparências.

As transparências são aliadas de quem já passou dos 60! Elas acrescentam leveza e modernidade ao look sem deixar pele à mostra. A prova: Sally Field, lindíssima, num Valentino vermelho.

 

8. Tomara que caia pede colar.

Depois de uma overdose de maxicolares é a vez dos colos à mostra. Toda extravagância banalizada é seguida de um ciclo oposto. A prova: a maioria das celebridades de tomara que caia não usaram colar ou optaram por um modelo bem delicado.

9. Basta um belo acessório para levantar um vestido  “fast fashion”

Mais uma controvérsia. Para o dia a dia ok, é possível  dar um up grade num look com uma bela produção. Já numa festa sofisticada a qualidade e caimento do tecido vai fazer sim muita diferença. A prova:  Helen Hunt de H&M. Nem a joia de 700 mil a redimiu…

10. Nunca se deve repetir um look de festa.

Atitudes sustentáveis são chiques e bem-vindas! Afinal, já pensou o que seria de nós, pobres mortais, que não usamos looks emprestados ou presenteados como as celebridades, com vários vestidos usados apenas uma vez? A prova: a atriz Helena Bonham Carter repetiu no Oscar o vestido Viviene Westwood usado em outra premiação. E desta vez com cabelo e make muto melhores, não?

Fotos: Reprodução

Filhos únicos

“Você veste os trigêmeos com roupas iguais?”

Assim me perguntou a simpática atendente do Poupa Tempo, após questionar se eu tinha filhos e a idade deles.  “Não, nunca os vesti iguaizinhos”, respondi . Apesar de achar uma graça.

O jeito com que a gente se veste é uma maneira de expressar ao mundo um pouco sobre nós. Personalidade, gostos e preferências. “Nosso cartão de visitas”, já poetizou Carlos Drummond de Andrade.

Cair na cilada de ser um “bloco”, em vez de um indivíduo, é mais fácil quando se tem um irmão gêmeo.  Sempre lutei para preservar a individualidade de cada um. E uma de minhas ferramentas foram as roupas.

Hoje, aos sete anos, eles não só não se vestem da mesma forma como revelam gostos completamente diferentes. Léo adora sair de camisa – de preferência com uma gravata descolada junto. Mas não hesita em subir em qualquer árvore que encontrar pelo caminho: o nosso “arrumadinho” é sempre quem volta mais “sujo e descabelado” para casa. Lorenzo faz o gênero esportivo: gosta de pólos, jaquetas de couro e tênis à moda dos skatistas. Brinca à vontade sem perder a linha (não me pergunte como!). Barbara, a única menina, tinha tudo para ser “princesinha” mas lembra mais a Valente, nova heroína aventureira do cinema. Sabe o que gosta e está longe de ser vítima da moda. “Mamãe, antes de ter “estilo” tem que ser confortável”, afirma ao ganhar e educadamente recusar uma blusa de paetês rosa “que pinica”. Diz para doar para a prima…

Devaneando sobre isso enquanto a atendente atualizava meu documento, volto à realidade com ela pedindo para eu estender minha mão. “Vou precisar da digital de cada um de seus dedos”. E eis que não pude deixar de pensar: “puxa, somos mesmo únicos!”

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